A confirmação recente de dois casos do vírus Nipah na Índia acendeu o alerta da comunidade internacional e colocou novamente em evidência o risco de novas crises sanitárias globais. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha informado que todas as 190 pessoas que tiveram contato direto com os infectados testaram negativo, o episódio trouxe a preocupação com doenças infecciosas de alto potencial de disseminação em 2026.
De acordo com a OMS e pesquisadores em doenças infecciosas, o planeta vive uma combinação de fatores que favorecem o surgimento e a expansão de vírus perigosos. O aquecimento global aproxima humanos de reservatórios naturais de patógenos, como animais silvestres, enquanto o aumento populacional e a intensa mobilidade internacional permitem que vírus atravessem continentes em questão de horas.
Para 2026, a expectativa é de circulação antecipada de vírus respiratórios humanos, como novas variantes do influenza A — incluindo a chamada gripe K — além do avanço contínuo de vírus da gripe aviária. No Brasil, o alerta também envolve arboviroses e o crescimento de doenças como a sífilis.
Influenza A e a ameaça de uma nova pandemia
A influenza A segue no topo da lista de preocupações. Capaz de infectar diversas espécies animais e de sofrer mutações rápidas, o vírus já foi responsável pela última grande pandemia, em 2009, quando o subtipo H1N1 matou mais de 280 mil pessoas em seu primeiro ano.
Atualmente, o foco está no subtipo H5N1, a gripe aviária altamente patogênica. Detectado pela primeira vez em humanos na China, em 1997, o vírus se espalhou globalmente por meio de aves migratórias. Em 2024, foi identificado pela primeira vez em rebanhos de gado leiteiro nos Estados Unidos, levantando o temor de adaptação aos mamíferos.
Estudos já indicam transmissões de vacas para humanos. Em 2026, cientistas monitoram atentamente qualquer sinal de transmissão sustentada entre pessoas — etapa considerada decisiva para o início de uma nova pandemia. As vacinas atuais contra a gripe comum não oferecem proteção contra o H5N1, embora novos imunizantes estejam em desenvolvimento.
Vírus Mpox
Conhecido anteriormente como monkeypox, o vírus mpox foi identificado nos anos 1950 e, por décadas, permaneceu restrito principalmente à África Subsaariana. A partir de 2022, no entanto, um surto global levou a doença a mais de 100 países, impulsionado pela transmissão entre humanos por contato próximo.
Existem diferentes variantes do vírus, incluindo o clado I, mais grave, e o clado II, considerado mais leve. Apesar da queda no número de casos após o surto global, o clado II se estabeleceu em várias regiões do mundo. Desde 2024, países da África Central também registram aumento de casos do clado I.
Desde agosto de 2025, casos do clado I foram identificados nos Estados Unidos, inclusive em pessoas sem histórico de viagem à África. Para 2026, a evolução dos surtos ainda é considerada imprevisível. Há vacina disponível, mas não existem tratamentos específicos eficazes.
Vírus Oropouche: a ameaça invisível
Outro patógeno que preocupa os especialistas é o vírus Oropouche, transmitido por mosquitos e pequenos insetos conhecidos como maruins. Identificado nos anos 1950 em Trinidad e Tobago, o vírus provoca febre, dor de cabeça e dores musculares, podendo causar recaídas semanas após a recuperação inicial.

Por décadas, os casos ficaram restritos à Amazônia. No entanto, desde os anos 2000, o vírus se espalhou por áreas mais amplas da América do Sul, América Central e Caribe. Casos nos Estados Unidos costumam estar associados a viajantes.
O inseto transmissor está presente em grande parte das Américas, inclusive no sudeste norte-americano, o que levanta a possibilidade de expansão geográfica em 2026. Não há vacina nem tratamento específico disponível.
Nipah: letal e imprevisível
O vírus Nipah, que voltou ao noticiário após os casos na Índia, é considerado um dos patógenos mais letais do mundo, com taxas de mortalidade que podem ultrapassar 70%. Transmitido inicialmente por morcegos, ele pode passar para humanos e, em alguns surtos, ser transmitido entre pessoas.
Embora os episódios recentes tenham sido contidos, a OMS mantém o vírus na lista de prioridades globais devido ao alto potencial de causar surtos graves.




