A Amazon anunciou uma mudança significativa na operação nos Estados Unidos que promete alterar a forma como produtos de terceiros são armazenados e enviados aos consumidores. A empresa vai encerrar, a partir de 31 de março de 2026, a prática conhecida como commingling, sistema que mistura estoques de vendedores diferentes em seus centros de distribuição. A decisão busca reduzir a circulação de produtos falsificados e aumenta o controle sobre a origem dos itens vendidos na plataforma.
O commingling foi criado para otimizar a logística da Amazon. Na prática, produtos idênticos — com o mesmo código — enviados por vendedores diferentes eram armazenados juntos. Assim, quando um cliente fazia uma compra, recebia o item mais próximo, independentemente de qual lojista o havia fornecido.
Embora eficiente, o modelo abriu brechas para fraudes. Produtos falsificados acabavam misturados aos originais, fazendo com que consumidores recebessem itens ilegítimos mesmo ao comprar de vendedores confiáveis. A mudança foi destacada pelo entusiasta de tecnologia Gerard Hughes em uma publicação na rede X, que apontou que o fim do sistema “reduz as chances de receber falsificações ao comprar de um vendedor confiável”.
Pressão contra falsificações
A decisão ocorre após anos de críticas de órgãos reguladores e entidades de defesa do consumidor. Investigações, como uma do Wall Street Journal em 2019, mostraram como falsificadores exploravam o commingling para inserir produtos piratas na cadeia logística da Amazon.
Dados do Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO) apontaram que, em testes realizados, quase metade dos produtos comprados de vendedores terceiros na plataforma eram falsificados — muitos deles ligados ao sistema de estoque compartilhado.
Com o fim da prática, cada vendedor será obrigado a manter estoques separados, o que facilita a rastreabilidade e a retirada de produtos problemáticos do mercado.

A mudança é vista com bons olhos por vendedores legítimos, que reclamavam de prejuízos à reputação causados por falsificações. Por outro lado, pequenos comerciantes demonstram preocupação com o aumento de custos. Analistas estimam que as taxas de logística podem subir entre 5% e 10% para alguns vendedores, já que manter estoques separados exige mais envios e planejamento.
Além disso, a Amazon anunciou que também encerrou, em 1º de janeiro de 2026, seus serviços de preparação e etiquetagem de produtos nos Estados Unidos. A partir dessa data, todos os itens enviados ao programa Fulfillment by Amazon (FBA) deverão chegar prontos e corretamente identificados. Encomendas criadas após esse prazo, sem preparação adequada, não terão direito a reembolso em caso de danos ou extravio.
O que muda para os consumidores
Para os compradores, especialmente os que fazem aquisições internacionais, a expectativa é de mais segurança e confiança. O fim do commingling reduz o risco de receber produtos falsificados, algo crítico em categorias como eletrônicos, cosméticos e até medicamentos.
Apesar disso, ainda não há confirmação de que a mudança será adotada em outros mercados, como o Brasil. Mesmo assim, consumidores brasileiros que compram em lojas internacionais da Amazon podem sentir os efeitos indiretos, seja na disponibilidade de produtos ou nos preços finais.




