O jumento brasileiro, um ícone do Nordeste, enfrenta uma ameaça crítica de extinção devido ao abate intensivo para exportação. A população, que em 1999 alcançava 1,37 milhão, caiu para cerca de 78 mil em 2025, com base em dados da FAO e do IBGE.
A principal causa é a demanda chinesa por ejiao, uma gelatina derivada da pele dos jumentos. Atualmente, três frigoríficos na Bahia estão autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) a realizar o abate desses animais para esse fim.

Impacto cultural
Os jumentos possuem uma história rica e são parte integral da identidade cultural do nordeste brasileiro. Antigamente usados no transporte de mercadorias e água, hoje enfrentam abandono devido à mecanização.
Entretanto, além do aspecto cultural, a exploração desenfreada ameaça a população global desses animais. Organizações internacionais apontam que a situação brasileira pode ser um prenúncio de um problema mundial, caso medidas não sejam tomadas.
Consequências econômicas e sociais
Em regiões secas, os jumentos são vitais para o transporte e o trabalho rural. Sua potencial extinção não só representa uma perda ambiental, mas também social, prejudicando as famílias que dependem deles.
O abate rápido não é sustentável, uma vez que os jumentos possuem um longo ciclo reprodutivo, o que dificulta a reposição populacional necessária. Essa prática compromete a cadeia de produção local e evidencia a falta de políticas públicas eficazes para gerenciar a situação.
A proibição do abate de jumentos é assunto de discussões ativas no Brasil. Projetos de lei tramitam no Congresso para limitar ou proibir essa prática, espelhando medidas já adotadas em países africanos, onde moratórias foram estabelecidas.
Além disso, avanços tecnológicos, como a fermentação de precisão para produção de colágeno, oferecem alternativas sustentáveis à exploração dos jumentos. Essas inovações são vistas como soluções possíveis para substituir o uso animal na indústria.




