Após mais de quatro anos de guerra, Rússia e Ucrânia deram um sinal limitado de distensão ao concordarem com um cessar-fogo temporário durante o período da Páscoa ortodoxa. A trégua foi anunciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, e aceita pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta quinta-feira (9).
O acordo prevê a interrupção das operações militares por 32 horas, com início no sábado e término no domingo, período que coincide com as celebrações religiosas nos dois países. A medida, no entanto, não representa um tratado de paz definitivo, mas sim uma pausa pontual nas hostilidades.
De acordo com o Kremlin, o cessar-fogo foi determinado ao Ministério da Defesa russo, com orientação para suspender as operações militares durante o período estabelecido. Ainda assim, Moscou afirmou que suas tropas permanecerão em alerta para responder a eventuais violações.
Do lado ucraniano, Zelensky indicou que o país adotará medidas “simétricas”, reforçando que Kiev já havia proposto uma trégua semelhante anteriormente. O presidente destacou a necessidade de um feriado sem ataques e sinalizou que a pausa poderia abrir caminho para avanços diplomáticos.
Apesar disso, episódios de violência foram registrados poucas horas após o anúncio. Autoridades regionais ucranianas relataram novos ataques com drones e artilharia, evidenciando a fragilidade do acordo.
Negociações seguem travadas
A iniciativa ocorre em meio a tentativas internacionais de mediação, com participação dos Estados Unidos em diálogos entre representantes de Moscou e Kiev. Até o momento, porém, os esforços não resultaram em um acordo duradouro.
Um dos principais entraves continua sendo a questão territorial. A Rússia mantém o controle de cerca de 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente, incluindo a Crimeia e regiões estratégicas no leste e sul do país. Moscou exige a manutenção dessas áreas, enquanto a Ucrânia rejeita qualquer concessão.
Especialistas avaliam que cessar-fogos temporários, como o anunciado para a Páscoa, têm caráter mais simbólico do que prático, especialmente diante do histórico recente de acusações mútuas de descumprimento.




