O governo da França anunciou nesta quarta-feira (25) a nomeação do historiador de arte Christophe Leribault como novo diretor do Museu do Louvre. A decisão ocorre meses após o roubo de joias da Coroa francesa avaliadas em cerca de € 88 milhões (US$ 102 milhões) e em meio a uma série de crises administrativas e estruturais enfrentadas pela instituição.
Leribault assume o cargo após a renúncia de Laurence des Cars, que deixou a presidência do museu na terça-feira (24). O pedido de demissão foi aceito pelo presidente Emmanuel Macron.
O ponto mais crítico da gestão anterior foi o assalto ocorrido em outubro, quando criminosos levaram joias históricas em menos de oito minutos. As peças, que integram uma das coleções mais simbólicas da França, ainda não foram recuperadas.
O episódio expôs falhas de segurança no museu mais visitado do mundo e intensificou críticas à administração. Além do roubo, o Louvre enfrenta greves de funcionários desde dezembro, denúncias de fraude na venda de ingressos, que teriam desviado mais de € 10 milhões ao longo de uma década, e problemas estruturais, como infiltrações e sobrecarga de visitantes.
Relatório de auditores do Estado francês já havia recomendado a priorização de investimentos em segurança e infraestrutura, em vez de novas aquisições para o acervo.

Novo diretor terá missão de restaurar confiança
Christophe Leribault, de 62 anos, é especialista em arte do século XVIII e tem ampla experiência na gestão de instituições culturais. Ele dirigia o Palácio de Versalhes desde 2024 e já comandou o Museu d’Orsay e o Museu de l’Orangerie, em Paris. Também atuou como diretor-adjunto do departamento de artes gráficas do próprio Louvre entre 2006 e 2012.
Segundo a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, Leribault será responsável por liderar projetos considerados estratégicos para o futuro da instituição.
Entre as prioridades está o ambicioso plano de modernização chamado “Nouvelle Renaissance”, orçado em € 800 milhões. O projeto prevê uma nova entrada próxima ao Rio Sena, ampliação de espaços subterrâneos e uma sala exclusiva para a “Mona Lisa”, com acesso controlado por horário, para reduzir a superlotação.
Projeto estratégico para Macron
A reforma do Louvre é vista como um dos principais legados culturais do presidente Emmanuel Macron. Na tradição política francesa, chefes de Estado costumam associar seus mandatos a grandes obras culturais, como o Centro Pompidou e a Biblioteca Nacional.
Agora, além de conduzir a modernização, Leribault terá a missão de reforçar a segurança do prédio, proteger o acervo e restabelecer a confiança do público e dos funcionários.




