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Apostadores viciados podem recuperar dinheiro perdido nos últimos 5 anos na Justiça

Por Alan da Silva
23/01/2026
Em Geral
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Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

A ludopatia, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno do controle dos impulsos, afeta a vida de muitos brasileiros, resultando em decisões financeiras prejudiciais e superendividamento. Classificada no CID-10 sob o código F63.0, essa condição prejudica a capacidade de avaliação de riscos.

O sistema jurídico brasileiro oferece mecanismos para amenizar essas consequências, especialmente através da Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento. Ela foi promulgada e publicada no Diário Oficial da União no dia 1º de julho de 2021.

Implicações jurídicas

A ludopatia compromete o julgamento, levando à assunção de riscos financeiros sem o devido discernimento. Isso é especialmente verdadeiro em contratos e débitos adquiridos sob a influência do transtorno.

A Lei do Superendividamento permite que consumidores em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas de maneira a garantir o mínimo existencial.

Provas para anulação de apostas e contratos

Para anular apostas e contratos feitos sob a influência da ludopatia, é crucial apresentar documentação que comprove o impacto da doença nas decisões financeiras. As seguintes provas são fundamentais:

  • Laudo médico-psiquiátrico que confirme o diagnóstico de ludopatia e demonstre como a doença afetou a capacidade de decisão.
  • Extratos bancários evidenciando uso de recursos em apostas.
  • Registros de apostas em plataformas online.
  • Depoimentos de familiares ou amigos que possam corroborar o comportamento compulsivo.

Essas provas ajudam a demonstrar que as dívidas foram contraídas não por má-fé, mas por influência da doença.

Vale ressaltar que o consumidor pode obter valores perdidos nos últimos cinco anos, conforme o artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece o prazo prescricional para pedidos de reparação por falha na prestação de serviços.

Estratégias jurídicas eficazes

Para resolver dívidas com mais eficiência, duas estratégias são recomendadas:

  • Ação de superendividamento: Permite a criação de um plano de pagamento que respeita o mínimo existencial do devedor, visando a renegociação das dívidas.
  • Anulação de contratos: Esta tese serve como base para negociação, frequentemente resultando em acordos mais favoráveis. A combinação desses métodos pode não apenas reduzir o valor das dívidas, mas também oferecer condições de pagamento mais viáveis.

Bancos que não avaliavam devidamente a capacidade de pagamento dos clientes podem ser responsabilizados judicialmente. 

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Alan da Silva

Alan da Silva

Jornalista e revisor.

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