O conflito no Oriente Médio já começa a afetar o setor de aviação internacional e pode provocar aumento no preço das passagens aéreas no Brasil. A escalada da guerra elevou significativamente o valor do petróleo, o que impacta diretamente o custo do combustível de aviação (QAV) — um dos principais gastos das companhias aéreas.
Em alguns mercados internacionais, empresas já anunciaram reajustes nas tarifas. Na Índia, por exemplo, o preço das passagens chegou a subir até 15% em determinadas rotas.
Especialistas apontam que, caso a tendência global se mantenha, as companhias que operam no Brasil também poderão repassar parte dos custos aos passageiros.
O combustível de aviação costuma representar entre 20% e 30% das despesas operacionais de uma companhia aérea. Por isso, oscilações no preço do petróleo têm impacto direto nas tarifas.
Antes da escalada do conflito envolvendo o Irã, o barril de petróleo era negociado entre US$ 85 e US$ 90. Com o agravamento da crise, os preços passaram a variar entre US$ 150 e US$ 200, segundo dados divulgados por empresas do setor.
O aumento tem levado companhias a revisar suas projeções financeiras para os próximos anos.
Companhias já anunciaram reajustes
Diversas empresas internacionais começaram a ajustar tarifas ou sobretaxas relacionadas ao combustível.
Entre os exemplos recentes:
- A Air New Zealand aumentou tarifas em voos domésticos e internacionais.
- A Hong Kong Airlines anunciou elevação de até 35,2% nas sobretaxas de combustível em algumas rotas.
- Companhias como Scandinavian Airlines e Qantas também confirmaram reajustes nas passagens.
Algumas empresas possuem contratos de proteção financeira (hedge) para garantir combustível a preços previamente definidos. Mesmo assim, especialistas alertam que uma crise prolongada pode afetar não apenas o preço, mas também a disponibilidade do combustível.
Espaço aéreo afetado e rotas alteradas
Além do impacto nos custos, o conflito também tem causado instabilidade no espaço aéreo do Oriente Médio. Aviões que se aproximavam de Dubai, por exemplo, chegaram a entrar em espera devido a alertas de possíveis ataques com mísseis.
O fechamento ou restrição de rotas aéreas na região também aumenta o tempo de voo e o consumo de combustível, o que pressiona ainda mais os custos operacionais.
Se a alta global do petróleo persistir, companhias que operam no Brasil podem enfrentar custos mais elevados justamente em um momento de crescimento da demanda por viagens.
Nesse cenário, especialistas avaliam que os aumentos podem acabar chegando ao consumidor brasileiro, tornando as passagens aéreas mais caras nos próximos meses, principalmente em voos internacionais.




