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Bolsa Família deve subir para R$ 700 a partir de janeiro

Por Pedro Silvini
04/01/2026
Em Geral
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Cartão Bolsa Família

(Reprodução/Lyon Santos/MDS)

O Bolsa Família pode ter um aumento no valor médio pago às famílias a partir de janeiro de 2026, chegando próximo de R$ 700. A mudança, no entanto, não altera o valor base do programa, que continua sendo de R$ 600. O possível reajuste decorre da previsão orçamentária enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional, que reservou recursos acima do necessário para manter o atual número de beneficiários.

O Orçamento de 2026 prevê R$ 158,6 bilhões para o Bolsa Família. Em outubro de 2025, o programa atendeu 18,9 milhões de famílias, com custo anual estimado em R$ 154,6 bilhões, caso o ritmo atual de pagamentos seja mantido.

Essa diferença de aproximadamente R$ 4 bilhões abre espaço para um ajuste no valor médio dos repasses. Pelos cálculos, seria possível elevar o benefício médio em até R$ 17,59 por mês, fazendo o valor sair dos atuais R$ 683,42 para R$ 701,01, já no início de 2026.

Ou seja, o que pode subir é a média dos depósitos mensais, impulsionada pelos benefícios adicionais pagos a famílias com crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes — e não o piso fixo do programa.

Valor mínimo segue em R$ 600

Apesar da possibilidade de aumento no valor médio, o valor base do Bolsa Família permanece em R$ 600, sem reajuste desde o relançamento do programa, em março de 2023.

Pelas regras atuais, o benefício é composto por:

  • R$ 600 fixos por família;
  • R$ 150 adicionais por criança de até seis anos;
  • R$ 50 extras para crianças e adolescentes de 7 a 18 anos, gestantes e nutrizes;
  • Garantia de R$ 142 por pessoa na composição familiar, com possibilidade de acumulação com o Seguro Defeso.

Em dezembro, o valor médio pago por domicílio foi de R$ 691,37, reflexo da composição familiar dos beneficiários.

Desde o início do governo Lula, 2,7 milhões de pessoas deixaram o Bolsa Família, sendo 1,9 milhão apenas em 2025. A queda é atribuída ao pente-fino promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social, com atualização do Cadastro Único para excluir irregularidades.

Essa redução no número de beneficiários também contribui para a possibilidade de elevação do valor médio pago, sem necessidade de aumento expressivo no orçamento total do programa.

Governo nega reajuste oficial

Apesar das projeções, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) afirmou que, até o momento, não há previsão oficial de reajuste no Bolsa Família em 2026.

O programa, diferentemente de benefícios previdenciários, não possui regra automática de correção por inflação ou salário mínimo, o que torna eventuais aumentos dependentes de decisão política e disponibilidade orçamentária.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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