Criado para aliar combate à pobreza e preservação ambiental, o Programa Bolsa Verde voltou a ganhar destaque e levanta dúvidas sobre sua continuidade em 2026. A iniciativa, que beneficia famílias que vivem em áreas de conservação e territórios tradicionais — especialmente na Amazônia —, foi oficialmente retomada em 2023 e segue em expansão, com pagamentos trimestrais de R$ 600 e recorde de famílias atendidas.
Instituído pela Lei nº 12.512, de 2011, o Bolsa Verde foi criado durante o programa Brasil Sem Miséria com o objetivo de complementar a renda de famílias em extrema pobreza que vivem em áreas ambientalmente sensíveis. Entre 2011 e 2016, o programa pagava R$ 300 trimestrais por família e chegou a atender cerca de 100 mil lares, majoritariamente na Amazônia.
Em 2016, porém, a iniciativa foi desativada após a retirada de dotação orçamentária. O programa só voltou a operar em 2023, por meio do Decreto nº 11.635, com regras atualizadas, valor dobrado e foco ampliado na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável.
Quem recebe e quanto é pago
Na nova versão, o Bolsa Verde paga R$ 600 a cada três meses para famílias que vivem:
- Em Unidades de Conservação de Uso Sustentável, como Reservas Extrativistas, Florestas Nacionais e Reservas de Desenvolvimento Sustentável;
- Em assentamentos ambientalmente diferenciados da Reforma Agrária;
- Em territórios ocupados por povos e comunidades tradicionais, como ribeirinhos, extrativistas, indígenas, quilombolas, entre outros.
Em contrapartida, os beneficiários se comprometem a preservar a vegetação nativa, utilizar os recursos naturais de forma sustentável e colaborar com ações de monitoramento e proteção ambiental. Além do auxílio financeiro, as famílias têm acesso a assistência técnica, extensão rural socioambiental e ações de inclusão socioprodutiva.
Números recordes e expansão
Em setembro de 2025, o programa atingiu 70 mil famílias beneficiárias, superando antecipadamente a meta prevista no Plano Plurianual (PPA). No início do ano, eram cerca de 50 mil famílias atendidas. Atualmente, o Bolsa Verde mantém ainda 150 mil famílias cadastradas e contempla 470 áreas em todo o país, somando mais de 30 milhões de hectares preservados.
Nos últimos dois anos, o governo federal investiu R$ 280 milhões no programa, sendo R$ 224 milhões destinados diretamente ao pagamento dos benefícios. O restante foi aplicado em assistência técnica rural, apoio à gestão territorial e manutenção do sistema digital do programa.
Gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Bolsa Verde tem forte concentração na Amazônia Legal, onde vivem milhares de famílias que dependem diretamente da floresta para sobreviver. Para serem incluídas, as áreas precisam passar por avaliação ambiental e apresentar, no mínimo, 80% de cobertura vegetal preservada.
Segundo a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel de Moraes, o crescimento do programa está ligado à busca ativa das famílias nos territórios e à articulação com municípios para inclusão no Cadastro Único (CadÚnico), requisito obrigatório para receber o benefício.




