O Brasil dará início, em 2026, a uma das maiores obras de infraestrutura de sua história recente. Em parceria com a China, o país vai construir a Ponte Salvador–Itaparica, que terá 12,4 quilômetros de extensão sobre lâmina d’água, tornando-se a maior ponte da América Latina e uma das mais extensas do mundo. O investimento estimado é de R$ 11 bilhões, segundo o governo da Bahia e o consórcio responsável pelo projeto.
A previsão oficial é que as obras comecem em junho de 2026, após a conclusão do projeto executivo e da plataforma provisória, com entrega estimada para 2031. A estrutura substituirá a atual travessia feita por ferry-boat, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento entre Salvador e a Ilha de Itaparica.
O empreendimento será executado por um consórcio formado pelas gigantes chinesas China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC), duas das maiores empresas de infraestrutura do mundo. As companhias venceram o leilão internacional em dezembro de 2019 e firmaram contrato com o governo baiano no ano seguinte.
Segundo o governo estadual, o projeto simboliza o aprofundamento das relações bilaterais entre Brasil e China, especialmente no setor de infraestrutura pesada, combinando engenharia, tecnologia e financiamento internacionais. A obra ganhou novo impulso político em novembro de 2025, durante o 3º Fórum Bahia–China, realizado em Salvador.

Uma das maiores pontes do planeta
Com 12,4 km de extensão, a Ponte Salvador–Itaparica terá dimensões comparáveis a grandes referências globais. Ela ficará próxima da Ponte Vasco da Gama, em Portugal (12,3 km), e atrás apenas de estruturas ainda maiores, como a Ponte Incheon, na Coreia do Sul (21,3 km).
O projeto está dividido em três grandes trechos:
- 4,6 km de acesso em Itaparica;
- 6,9 km de acesso em Salvador;
- 900 metros de trecho estaiado, com 85 metros de altura, o equivalente a um prédio de 28 andares, permitindo a passagem de navios transatlânticos, petroleiros e plataformas.
A ponte contará com pistas duplas em ambos os sentidos, duas faixas de rolamento por direção e uma terceira faixa que, inicialmente, funcionará como acostamento.
Além de encurtar o tempo de viagem e substituir o transporte marítimo atual, a ponte deve provocar uma mudança estrutural na logística da Bahia, integrando regiões hoje dependentes do ferry-boat e impulsionando o turismo, o comércio e a circulação de mercadorias.




