Uma comunidade indígena localizada no extremo norte do Peru deu um ultimato ao governo do país neste mês de janeiro. Liderada por Desiderio Flores Ayambo, a comunidade de Bellavista Callarú, situada na região de Loreto, estabeleceu um prazo de 30 dias para que o Estado peruano responda às suas reivindicações.
Essas demandas envolvem questões críticas de segurança e acesso a serviços públicos essenciais. Caso o governo não atenda a esses pedidos dentro do prazo estabelecido, a comunidade está considerando a possibilidade de integração ao território brasileiro.
Pressão na tríplice fronteira
Bellavista Callarú, predominantemente habitada por indígenas da etnia ticuna, está localizada na tríplice fronteira entre o Peru, Brasil e Colômbia. A região de 48,2 km² enfrenta um agravamento dos problemas de violência e narcotráfico, impulsionados pela falta de atuação estatal.
A ausência do governo tem permitido o aumento de atividades criminosas e a predominância das moedas dos países vizinhos, como o real brasileiro e o peso colombiano, nas transações locais, substituindo o sol peruano.
Deficiências críticas nos serviços
A comunidade sofre com a falta de serviços básicos. A segurança pública é precária, sem a presença permanente de policiamento ou sistema de justiça funcional.
O posto de saúde local carece de médicos, contando apenas com técnicos para atender à população. Em casos médicos mais graves, especialmente envolvendo gestantes, os pacientes precisam ser transferidos para cidades vizinhas ou até mesmo para o Brasil.
No setor educacional, a escassez de infraestrutura exige que muitos alunos estudem em condições improvisadas, pois a única escola local não suporta a demanda.
A formalização do distrito de Bellavista Callarú, uma das principais reivindicações da comunidade, poderia criar uma estrutura oficial do Estado na região, visando um controle mais eficaz do território.
Com o ultimato em andamento, Bellavista Callarú aguarda ansiosamente uma resposta das autoridades peruanas. Enquanto isso, a possibilidade de integração ao Brasil permanece uma alternativa real para a comunidade.




