O hábito de tomar café antes do treino pode não ser tão inofensivo quanto parece. Um novo estudo conduzido pelos pesquisadores Dr. Keith Baar e Dr. Danielle Steffen, da Universidade da Califórnia (UC Davis), indica que a cafeína em doses altas e contínuas pode reduzir em até 70% a síntese de proteínas musculares, comprometendo a adaptação dos músculos e tendões ao exercício.
A substância, considerada o estimulante mais consumido no mundo, é amplamente utilizada para melhorar foco, energia e retardar a fadiga. No entanto, os resultados sugerem que seu uso excessivo pode ter efeito contrário no processo de crescimento muscular.
Redução na síntese proteica e colágeno
A equipe de Baar analisou os efeitos da cafeína desde células isoladas até modelos animais.
Nos testes laboratoriais:
- Células musculares e de tendões expostas à cafeína apresentaram redução de 30% a 70% na síntese de proteínas;
- Houve ativação de vias associadas ao estresse celular;
- Ligamentos humanos cultivados em laboratório produziram menos colágeno;
- Estruturas expostas à substância ficaram cerca de 45% mais fracas mecanicamente.
Segundo os pesquisadores, o impacto negativo foi observado especialmente em exposição contínua e em doses elevadas, cenário comum entre usuários frequentes de pré-treinos concentrados.
Estudos mostram efeito oposto em consumo moderado
Apesar dos achados, a relação entre café e massa muscular não é consenso científico.
Um estudo publicado em agosto de 2024 na revista Frontiers in Nutrition, conduzido pela Universidade de Nottingham, analisou dados de 8.300 adultos entre 20 e 80 anos e encontrou associação entre consumo diário de café e 11% a 13% mais massa muscular, mesmo após controle de fatores como idade, sexo, dieta e atividade física.
Especialistas apontam possíveis explicações:
- A cafeína tem efeito ergogênico, podendo melhorar desempenho nos treinos;
- O café contém polifenóis antioxidantes, que reduzem inflamação;
- O aumento de energia pode estimular maior nível de atividade física.
No entanto, os próprios autores destacam que o estudo identificou apenas associação, não relação direta de causa e efeito.




