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Cascas de ovos nas plantas afasta pragas e faz com que elas cresçam mais rápido? Checamos

Por Pedro Silvini
09/02/2026
Em Geral
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plantas jardim

(Reprodução/IStock)

Usar cascas de ovos, borra de café ou restos de alimentos diretamente na terra é um hábito comum entre quem cultiva plantas em casa. A promessa é tentadora: afastar pragas, fortalecer o solo e acelerar o crescimento. Mas a ciência mostra que essa prática, longe de ajudar, pode comprometer a saúde das plantas e favorecer problemas como deficiência nutricional, fungos e infestação de insetos.

A ideia de reaproveitar sobras de alimentos na jardinagem parte de um raciocínio simples: se esses itens são ricos em nutrientes para humanos, também deveriam ser benéficos para as plantas. O problema é que plantas não possuem sistema digestivo e não conseguem absorver nutrientes da matéria orgânica “crua”.

Para que qualquer resíduo orgânico se torne útil ao solo, ele precisa passar antes pelo processo de compostagem. É nesse estágio que microrganismos transformam os resíduos em nutrientes disponíveis para as raízes.

Sem essa decomposição prévia, cascas de ovos, frutas ou borra de café não apenas deixam de nutrir, como podem prejudicar o desenvolvimento vegetal.

Por que casca de ovo não funciona como fertilizante

Embora a casca de ovo seja rica em cálcio, esse mineral não fica disponível para as plantas quando o material é jogado diretamente na terra. A decomposição é lenta e, enquanto isso, microrganismos do solo consomem nitrogênio para quebrar a matéria orgânica.

Esse processo é conhecido como imobilização de nitrogênio. Na prática, o nutriente é “roubado” do solo e deixa de estar disponível para as plantas, causando crescimento lento, folhas amareladas e sinais claros de deficiência nutricional.

Outro efeito colateral comum do uso de restos de comida é a atração de pragas. Resíduos frescos funcionam como chamariz para ratos, insetos, formigas, aves e outros animais, que podem acabar atacando também as plantas.

Além disso, a decomposição inadequada favorece o surgimento de fungos e bactérias, aumentando o risco de doenças no solo e nas raízes.

E os nutrientes, eles voltam ao solo?

Sim, mas apenas no longo prazo. Depois que os microrganismos concluem a decomposição, parte do nitrogênio retorna ao solo. O problema é o tempo: para plantas de ciclo curto, hortaliças e folhosas, esse retorno geralmente acontece tarde demais para garantir um crescimento saudável.

Especialistas são unânimes: restos de alimentos devem sempre passar pela compostagem antes de serem usados no cultivo. O composto orgânico é estável, seguro e fornece nutrientes já disponíveis para as plantas, além de melhorar a estrutura do solo.

Para quem busca resultados mais rápidos, a recomendação é utilizar fertilizantes apropriados, adubos orgânicos bem processados ou bioestimulantes desenvolvidos especificamente para uso agrícola e doméstico.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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