O custo da cesta básica registrou aumento em todas as capitais brasileiras no mês de março, segundo levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A elevação generalizada reforça a pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente diante de um cenário de renda ainda limitada e consumo moderado.
Entre as maiores altas, destacam-se Manaus, com variação de 7,42%, seguida por Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%) e Aracaju (6,32%). No acumulado de 2026, todas as capitais também registraram aumento, com variações que vão de 0,77%, em São Luís, até 10,93%, em Aracaju.
Apesar da alta disseminada, São Paulo segue como a capital com a cesta mais cara do país, atingindo R$ 883,94, enquanto Aracaju apresenta o menor custo médio, de R$ 598,45.
Pressão dos alimentos básicos e impacto no orçamento
O principal fator por trás da alta foi o aumento no preço de itens essenciais, especialmente o feijão, que encareceu em todas as cidades analisadas. No caso do feijão preto, as variações ficaram entre 1,68% em Curitiba e 7,17% em Florianópolis. Já o feijão carioca registrou aumentos ainda mais expressivos, chegando a 21,48% em Belém.
Além do grão, também contribuíram para a elevação dos custos produtos como tomate, carne bovina e leite integral. As condições climáticas adversas, com chuvas intensas em regiões produtoras, dificultaram a colheita e reduziram a oferta, pressionando os preços.
Por outro lado, o açúcar apresentou queda em 19 capitais, impulsionado por maior oferta no mercado.
O impacto no orçamento das famílias é significativo. De acordo com o levantamento, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou comprometer, em média, 48,12% da renda líquida para adquirir a cesta básica em março. O tempo médio de trabalho necessário para comprar os itens também aumentou, chegando a quase 98 horas mensais.
Cenário econômico e desafios para o consumo
Mesmo com o consumo das famílias ainda sendo um dos motores da economia, o aumento contínuo dos alimentos básicos impõe limites à recuperação do poder de compra. O Dieese também estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99, valor mais de quatro vezes superior ao piso atual.
A tendência de alta nos alimentos, somada a custos de produção e incertezas no mercado global, mantém o cenário desafiador para consumidores e reforça a preocupação com o custo de vida nas grandes cidades.




