A China deu um passo estratégico na corrida global pela energia do futuro ao lançar, na última segunda-feira (15), o Programa Internacional de Plasma em Ignição (“Burning Plasma”) e divulgar o plano de pesquisa do Burning Plasma Experimental Superconducting Tokamak (BEST) — seu próximo “sol artificial”. O anúncio foi feito pela Academia Chinesa de Ciências (CAS), por meio do Instituto de Ciência Física de Hefei.
Com participação de cientistas de mais de 10 países, incluindo França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Suíça, Espanha, Áustria e Bélgica, o grupo assinou a Declaração de Fusão de Hefei, reforçando o compromisso com ciência aberta e cooperação internacional.
Considerada a “energia final” da humanidade, a fusão nuclear replica o processo que alimenta o Sol, liberando enormes quantidades de energia sem emissão de carbono. O novo programa chinês busca entrar em uma fase inédita: a do plasma em ignição, quando a reação se sustenta pelo próprio calor gerado — etapa essencial para a produção contínua de eletricidade.

Segundo a CAS, o dispositivo BEST deverá ser concluído até o fim de 2027. Em seguida, serão realizados experimentos com plasma de deutério-trítio, mirando entre 20 MW e 200 MW de potência de fusão, com ganho líquido de energia.
“Estamos prestes a entrar em um novo estágio, crítico para o futuro da engenharia de fusão”, explicou Song Yuntao, vice-presidente do Instituto de Ciência Física de Hefei. “O plasma em ignição funciona como um fogo que se sustenta e cria as bases para a geração contínua de energia.”
China abre plataformas de pesquisa e reforça liderança global
A nova iniciativa também prevê o acesso de pesquisadores estrangeiros a diversas plataformas chinesas de grande porte no campo da fusão nuclear, incluindo o próprio BEST. O objetivo é reunir capacidades científicas internacionais para enfrentar desafios ainda não resolvidos — como o comportamento das partículas alfa, fundamentais para manter as temperaturas extremas necessárias para a reação.
Para Song, liderar o programa permitirá aproveitar “as vantagens institucionais da equipe chinesa de tokamak supercondutor” e, ao mesmo tempo, unir “a sabedoria e a força de cientistas de todo o mundo”.
O avanço ocorre após anos de aceleração da pesquisa chinesa em fusão, período em que o país superou múltiplos recordes globais em confinamento e temperatura de plasma.




