À medida que crescemos, é comum ouvir comparações sobre com quem somos mais parecidos dentro da família. No entanto, a ciência mostra que essa percepção nem sempre corresponde à realidade. Pesquisas em genética indicam que algumas características físicas e biológicas podem se manifestar mais a partir dos genes paternos, enquanto outras tendem a ter maior influência materna — e, em muitos casos, o resultado é uma combinação complexa de ambos.
De forma geral, cada ser humano herda 23 cromossomos da mãe e 23 do pai, totalizando 46. É nesse material genético que estão codificadas as instruções responsáveis por características como cor dos olhos, formato do rosto, tipo de cabelo e até predisposições para determinadas doenças.
Segundo geneticistas, muitas das características faciais mais perceptíveis costumam vir de um dos genitores de forma predominante. Entre os traços mais frequentemente herdados estão:
- formato da ponta do nariz;
- região ao redor dos lábios;
- tamanho das maçãs do rosto;
- cantos dos olhos;
- formato do queixo.
Esses elementos, inclusive, são os principais pontos analisados em sistemas de reconhecimento facial, por apresentarem alto grau de hereditariedade.
Genes dominantes, recessivos e o papel do acaso
Cada característica genética é determinada por alelos, versões diferentes de um mesmo gene herdadas do pai e da mãe. Alguns alelos são dominantes, enquanto outros são recessivos. Para que um traço recessivo se manifeste, é necessário que o indivíduo herde duas cópias desse alelo. Já os traços dominantes precisam de apenas uma cópia para se expressar.
É por isso que, por exemplo, se um dos pais tem cabelo escuro — característica geralmente dominante — e o outro é loiro, a tendência é que o filho tenha cabelo escuro. Cientistas utilizam ferramentas como o quadrado de Punnett para estimar essas probabilidades, embora o resultado nunca seja absolutamente previsível.
O que não vem apenas dos genes
Nem tudo, porém, é definido exclusivamente pela genética. Especialistas diferenciam os traços herdados daqueles que são adquiridos ao longo da vida, influenciados pelo ambiente, alimentação, hábitos e condições sociais. Características como inteligência, por exemplo, são consideradas resultado tanto da herança genética quanto das experiências vividas.
Além disso, estudos recentes apontam que o estilo de vida dos pais antes da concepção, especialmente do pai, pode influenciar a saúde futura da criança. Alimentação, prática de exercícios e exposição a substâncias nocivas podem afetar a expressão genética do embrião, um campo de estudo conhecido como epigenética.




