O aumento no número de cobras em áreas urbanas tem preocupado autoridades na Grande Florianópolis. Desde o início de março, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina registrou ao menos seis ocorrências envolvendo serpentes peçonhentas em cidades da região.
Entre os casos estão capturas de espécies altamente venenosas, como jararacas e cobras-corais verdadeiras, em bairros de São José, além de registros em Biguaçu e em diferentes pontos de Florianópolis, como Campeche e Rio Tavares.
Um dos episódios mais recentes ocorreu no domingo (29), quando uma cobra-coral verdadeira foi encontrada dentro de uma residência no bairro Campeche, na capital catarinense. O resgate foi realizado pelos bombeiros, que utilizaram equipamentos de proteção para garantir a retirada segura do animal, posteriormente devolvido à natureza em uma área isolada.
De acordo com especialistas, a cobra-coral verdadeira possui veneno altamente tóxico e pode causar acidentes graves. A identificação da espécie, no entanto, é difícil para pessoas sem treinamento, já que há semelhança com a chamada “falsa-coral”, que não é peçonhenta.
Acidentes com serpentes crescem no Brasil
O avanço das ocorrências locais acompanha uma tendência nacional. Em 2023, o Brasil registrou 341.806 acidentes envolvendo animais peçonhentos, um aumento em relação aos 293.702 casos do ano anterior. Desse total, 32.514 ocorrências, cerca de 9,5%, foram causadas por serpentes.
Em escala global, entre 4,5 e 5,4 milhões de pessoas sofrem acidentes com cobras todos os anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 1,8 e 2,7 milhões desenvolvem envenenamento, com aproximadamente 100 mil mortes anuais, além de centenas de milhares de casos com sequelas permanentes, como amputações.
Diante desse cenário, o ofidismo, acidentes causados por serpentes, é considerado uma das doenças tropicais negligenciadas, afetando principalmente populações mais vulneráveis em regiões tropicais e subtropicais.
Produção de soro e atendimento no SUS
No Brasil, o tratamento para picadas de animais peçonhentos é garantido pelo Sistema Único de Saúde, que distribui gratuitamente soros antivenenos em todo o país. A produção é liderada pelo Instituto Butantan, responsável por cerca de 12 tipos de soros, incluindo aqueles voltados para acidentes com cobras, escorpiões e lagartas.
Anualmente, cerca de 450 mil frascos são enviados ao Ministério da Saúde, que coordena a distribuição aos estados e municípios com base em critérios epidemiológicos. A produção segue normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, garantindo padrões de qualidade e segurança.
As autoridades reforçam que, ao encontrar uma cobra, a população não deve tentar capturá-la ou se aproximar. A recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 para que o resgate seja feito com segurança.
Em caso de picada, a vítima deve permanecer em repouso e ser levada imediatamente a uma unidade de saúde. Práticas como torniquete, cortes ou sucção do veneno são contraindicadas e podem agravar o quadro clínico.




