Em um banco tradicional, a taxa de juros é parte central de qualquer operação financeira. Já em países como a Arábia Saudita, onde o sistema bancário islâmico é amplamente adotado, é possível contratar financiamentos sem pagar juros no modelo convencional.
Isso acontece porque as instituições financeiras islâmicas operam segundo os princípios da sharia, a lei islâmica que rege a vida dos muçulmanos. Nessa lógica, a cobrança ou o pagamento de juros — prática conhecida como riba — é proibida.
Ao contrário dos bancos tradicionais, que lucram com a cobrança de juros sobre empréstimos e com a remuneração de depósitos, os bancos islâmicos adotam um modelo baseado no compartilhamento de riscos e na vinculação do dinheiro à economia real.
Em vez de conceder um empréstimo com juros, o banco:
- Compra o bem que o cliente deseja, como uma casa ou um carro;
- Revende ou aluga esse bem ao cliente por um valor maior, previamente acordado.
O valor adicional funciona como a remuneração da instituição, mas não é classificado como juros. A operação precisa estar atrelada a um ativo real e a uma atividade produtiva.
Segundo os princípios da sharia, o dinheiro não deve gerar lucro apenas por existir e tampouco pode causar danos. Por isso, os bancos islâmicos evitam investir em setores considerados prejudiciais, como:
- Álcool
- Tabaco
- Jogos de azar
- Armamentos
- Atividades ilícitas
Um mercado trilionário
Embora tenham surgido em países de maioria muçulmana, as finanças islâmicas deixaram de ser um fenômeno regional. Atualmente, formam uma indústria estimada em US$ 3,96 trilhões, com mais de 1.650 instituições em operação, segundo dados de 2023.
A projeção é que os ativos alcancem US$ 5,95 trilhões até 2026, com crescimento médio anual de 9% — acima do sistema financeiro convencional. Hoje, o setor representa cerca de 1% dos ativos financeiros globais.
Em regiões como o Golfo Pérsico (GCC) e partes da África Subsaariana, bancos islâmicos já competem diretamente com instituições ocidentais. O modelo também se expandiu para a Europa, Ásia e América do Norte, atraindo clientes de diferentes religiões interessados em princípios como ética, transparência e sustentabilidade.




