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Corpo de antigo papa explodiu no Vaticano após falha na preservação

Por Pedro Silvini
05/01/2026
Em Geral
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Vaticano

(Reprodução/Deposit Photos)

A morte do papa Francisco, em abril de 2025, trouxe o interesse por episódios pouco conhecidos envolvendo pontífices do passado. Entre eles, um dos mais chocantes: o caso do corpo do papa Pio XII, que explodiu durante a exposição pública em 1958 após um procedimento malsucedido de preservação.

O episódio voltou a circular após o Vaticano confirmar que o corpo de Francisco passou por uma técnica temporária de conservação, chamada thanatopraxia, antes de ser levado a público — método adotado justamente após o desastre embalsamatório ocorrido há quase sete décadas.

Papa Pio XII (Reprodução/ullstein bild/ullstein bild via Getty)

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Pio XII morreu em outubro de 1958, após 19 anos de pontificado. Diferentemente dos papas anteriores, ele havia determinado que seus órgãos não fossem retirados, contrariando a prática tradicional usada para garantir a preservação.

Para atender ao pedido, o médico pessoal do pontífice, Riccardo Galeazzi-Lisi, decidiu realizar um método experimental: cobrir o corpo com óleos e resinas e envolvê-lo em camadas de celofane, inspirado — segundo ele — nos tecidos utilizados no sepultamento de Jesus Cristo.

Funeral Papa Pio XII (Reprodução/INTERCONTINENTALE/AFP via Getty)

O problema é que o papa morreu na residência de verão Castel Gandolfo e seu corpo percorreu uma longa viagem até Roma sob temperaturas muito altas. A combinação de calor intenso, ausência de remoção de órgãos e o isolamento plástico formou um ambiente ideal para a rápida proliferação de bactérias — que produzem grandes quantidades de gases durante a decomposição.

No quarto dia de velório, diante dos fiéis, o corpo inchou de forma extrema e se rompeu, exalando um odor tão forte que fez membros da Guarda Suíça desmaiarem, segundo relatos da época. Partes como o nariz e os dedos se desprenderam, e o Vaticano encerrou imediatamente a visitação pública.

Caso levou à mudança permanente no ritual papal

Desde o episódio, a Santa Sé abandonou métodos experimentais e padronizou práticas mais seguras. A referência voltou à tona em 2025 porque o corpo de Francisco, antes de ser transferido para a Basílica de São Pedro, passou pela thanatopraxia, que assegura aparência natural por até dez dias.

Segundo Andrea Fantozzi, fundador do Instituto Italiano de Tanatopraxia (INIT), para a revista People, o processo visa garantir estabilidade estética e evitar incidentes como o que marcou o velório de Pio XII.

“O procedimento oferece uma aparência mais serena e natural, mantendo o corpo adequado para visitação por vários dias”, explicou.

A mudança no protocolo foi adotada justamente para impedir a repetição do histórico e traumático episódio de 1958.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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