O verão acendeu um alerta para quem pretende aproveitar o litoral brasileiro. Dados recentes apontam que a maioria das praias do país não apresentou condições adequadas para banho ao longo do último ano, elevando o risco de viroses gastrointestinais entre banhistas. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, apenas 30,2% dos trechos monitorados no Brasil permaneceram próprios para banho durante todo o ano, o pior índice registrado na última década.
A combinação entre altas temperaturas, maior fluxo de turistas e deficiência no saneamento básico cria um cenário favorável para surtos de gastroenterite, popularmente conhecidos como “virose”. No litoral paulista, a situação ganhou destaque após o registro de um surto associado ao norovírus, com casos de diarreia intensa, vômitos e mal-estar entre frequentadores das praias da Baixada Santista.
Em janeiro de 2025, boletins da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indicaram que 51 praias estavam impróprias para banho. Já na última atualização, divulgada na segunda-feira (22), 23 praias do litoral paulista seguem classificadas como inadequadas, principalmente em Santos, município que concentra o maior número de trechos contaminados.
De acordo com o Ministério da Saúde, norovírus e rotavírus são agentes importantes das gastroenterites agudas e têm transmissão pela via fecal-oral, ocorrendo por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, além do contato com superfícies ou pessoas infectadas.

Situação crítica também em outros estados
O problema não se restringe a São Paulo. Em Pernambuco, sete praias foram classificadas como impróprias para banho, segundo boletim divulgado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). A maioria dos trechos contaminados está localizada em Olinda, no Grande Recife. A classificação segue os critérios da Resolução Conama nº 274/2000, que estabelece os padrões de qualidade da água para atividades recreativas.
No panorama nacional, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, 253 praias foram consideradas apropriadas, enquanto 143 receberam classificação “ruim” e 136 “péssima”, evidenciando a dimensão do problema.
Sintomas, riscos e quem deve redobrar a atenção
As viroses gastrointestinais provocadas por água contaminada podem causar gastroenterocolite aguda, cujos principais sintomas incluem diarreia, náuseas, vômitos, enjoo, mal-estar e, em alguns casos, febre. A desidratação é uma das complicações mais preocupantes, especialmente em crianças menores de 5 anos e idosos, grupos mais vulneráveis.
Sinais como boca e olhos secos, diminuição da urina, fraqueza e desânimo indicam a necessidade de atenção médica. Em bebês, a moleira funda é um sinal de alerta importante.
Prevenção e cuidados básicos fazem diferença
Especialistas reforçam que medidas simples podem reduzir os riscos. Evitar o banho em praias classificadas como impróprias, lavar bem as mãos, consumir apenas água tratada e alimentos de procedência segura são atitudes fundamentais.
O tratamento das viroses gastrointestinais inclui hidratação constante, alimentação leve e, quando necessário, uso de medicamentos prescritos por profissionais de saúde. Água, água de coco e soro de reidratação oral são aliados importantes na recuperação.




