Um dispositivo simples, criado por um inventor brasileiro em 2015, voltou a circular com força entre consumidores ao prometer reduzir a conta de água em até 50%. Conhecido como bloqueador ou inibidor de ar, o equipamento custa atualmente cerca de R$ 45 em plataformas como o Mercado Livre e é instalado logo após o hidrômetro residencial.
A proposta do aparelho é impedir que o ar presente na rede de abastecimento seja registrado pelo medidor de água, o que, segundo fabricantes e consumidores, poderia inflar artificialmente o consumo mensal.

O equipamento é uma pequena válvula plástica, com poucos centímetros de comprimento, instalada na tubulação interna do imóvel, logo depois do hidrômetro. A função declarada é barrar a passagem do ar, permitindo apenas a entrada de água no sistema doméstico.
A lógica por trás do produto é que, em situações de baixa pressão ou interrupções no abastecimento, o ar pode passar pelo hidrômetro e fazer o relógio girar, registrando consumo mesmo sem água nas torneiras.
Relatos de consumidores desde a criação do dispositivo apontam quedas expressivas na fatura mensal após a instalação, especialmente em regiões que sofrem com oscilações no fornecimento de água.
Testes técnicos e controvérsias
Ensaios realizados em laboratório por universidades brasileiras mostraram que o bloqueador não impede totalmente a passagem do ar quando submetido a determinadas pressões. Além disso, os testes indicaram que, em cenários de baixa pressão na rede, o dispositivo pode reduzir também a vazão de água, dificultando o abastecimento do imóvel.
Esse efeito colateral levanta um ponto importante: a economia na conta pode ocorrer não apenas pela suposta retenção do ar, mas também pela diminuição do volume de água que efetivamente entra na residência.
Posição das concessionárias e órgãos técnicos
Companhias de saneamento de diferentes estados afirmam que a presença de ar na rede é eventual, não contínua, e negam que isso gere cobrança significativa ao consumidor. Por essa razão, a maioria das concessionárias não recomenda o uso do bloqueador e alerta para possíveis problemas no abastecimento.
O Inmetro informou, à época do lançamento, que não regulamenta nem certifica esse tipo de dispositivo, o que significa que sua eficiência não foi oficialmente avaliada pelo órgão.
Além disso, entidades do setor de saneamento alertam para riscos técnicos, como contaminação da rede interna, caso o equipamento seja instalado sem critérios adequados.




