Antes de se tornar símbolo da ascensão e da queda do império X, Eike Batista construiu sua fortuna inicial no setor de mineração, especialmente na exploração de ouro. Ao longo de décadas, o empresário chegou a operar 12 minas de ouro e prata em diferentes países. Uma delas, nos Estados Unidos, próxima ao Parque Nacional de Yellowstone, transformou-se em um dos episódios mais caros de sua trajetória: um prejuízo estimado em US$ 100 milhões, após multas ambientais que levaram à doação da área ao governo americano.
A relação de Eike Batista com o ouro começou ainda jovem, no início dos anos 1980. Fluente em vários idiomas, ele atuava como intermediário entre garimpeiros da Amazônia e compradores internacionais, principalmente da Europa. Aos 21 anos, fundou a Autram Aurem, empresa voltada à comercialização do metal precioso, e acumulou cerca de US$ 6 milhões em apenas um ano e meio.
Pouco tempo depois, Eike passou a comprar garimpos e investir na profissionalização da extração. “Comprei a mina mais rica que conhecia e cubamos com tecnologia canadense. O resultado mudou tudo”, relatou em entrevista ao podcast O Investidor com Propósito. Segundo ele, algumas operações chegaram a registrar margens operacionais de até 90%, com ganhos mensais na casa de US$ 1 milhão.

Dezenas de minas e expansão internacional
Ao longo da carreira, Eike Batista esteve à frente de projetos auríferos no Brasil, Canadá, Chile e Estados Unidos. Entre 1980 e 2000, ele afirma ter criado cerca de US$ 20 bilhões em valor com oito minas de ouro no Brasil e no Canadá, além de uma mina de prata no Chile.
Esse avanço levou Eike à presidência da canadense TVX Gold, listada na Bolsa de Toronto, consolidando sua atuação no mercado internacional de mineração. No auge dessa fase, o empresário chegou a operar 12 minas de ouro e prata simultaneamente, um feito raro mesmo entre grandes grupos do setor.
A mina nos EUA e o prejuízo milionário
Um dos projetos mais emblemáticos — e problemáticos — foi uma mina localizada nos Estados Unidos, próxima ao Parque Nacional de Yellowstone. Segundo o próprio Eike, a operação acabou sendo alvo de multas ambientais que somaram cerca de US$ 100 milhões.
Diante do impasse e dos custos elevados, o empresário decidiu doar a área ao parque nacional, encerrando a atividade. Com isso, tornou-se, segundo ele, “o brasileiro que aumentou a extensão do Parque de Yellowstone”. O episódio marcou um ponto de virada ao evidenciar os riscos regulatórios e ambientais associados à mineração em áreas sensíveis.




