Um dos empresários mais emblemáticos do país, Eike Batista viveu o auge e a queda em um dos ciclos mais intensos do capitalismo brasileiro. No período em que figurou entre os homens mais ricos do mundo, com fortuna estimada em cerca de US$ 30 bilhões, sua petroleira OGX anunciou a descoberta de uma reserva no pré-sal da Bacia de Santos que poderia conter entre 3 e 4 bilhões de barris de petróleo — número que incendiou o mercado financeiro e elevou as expectativas em torno do grupo EBX.
O cenário começou a mudar em 2013. A OGX anunciou a desistência de operações na Bacia de Campos e suspendeu a construção de plataformas. A confiança evaporou rapidamente. Em outubro daquele ano, as ações despencaram para R$ 0,13 — uma queda abrupta em comparação ao valor registrado três anos antes.
A crise da OGX desencadeou um efeito dominó nas demais empresas do grupo EBX. Em pouco mais de um ano, a fortuna de Eike encolheu para cerca de R$ 3 bilhões — aproximadamente 10% do patrimônio estimado anteriormente.
Com o descrédito no mercado, o empresário passou a vender ativos e perdeu o controle de suas companhias. Em 2017, foi condenado a 30 anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, em processo que apontou o pagamento de US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Pré-sal segue atraindo gigantes do setor
Mais de uma década após o auge da OGX, o pré-sal da Bacia de Santos voltou ao noticiário com uma nova descoberta — desta vez protagonizada pela British Petroleum (BP).
A empresa britânica anunciou a maior descoberta de petróleo e gás dos últimos 25 anos em sua história, em um poço localizado a 404 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro, em águas profundas. O campo, com área superior a 300 km², foi arrematado pela companhia em dezembro de 2022, durante o 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O poço exploratório foi perfurado a 2.372 metros de profundidade de água, atingindo 5.855 metros no total. Segundo a BP, o reservatório de carbonato do pré-sal apresenta uma coluna de hidrocarbonetos de aproximadamente 500 metros. Análises preliminares identificaram níveis elevados de dióxido de carbono, fator que pode influenciar o processo de extração.
Pelo contrato de partilha, a empresa utilizará até 80% da produção para recuperar custos. Após essa etapa, 5,9% do lucro será repassado à União. A BP detém 100% de participação no bloco, enquanto a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) atua como gestora do contrato.




