Ter um carro no Brasil pode custar caro, e não apenas na hora da compra. Enquanto um proprietário de Jeep Compass em São Paulo pode pagar mais de R$ 8 mil por ano apenas de IPVA, no Paraguai a taxa anual equivalente não chega a R$ 350 para veículos novos.
A diferença está no modelo de tributação adotado por cada país.
No Brasil, o valor do carro já sai da concessionária carregado de tributos, como IPI, ICMS e outros encargos embutidos no preço final. Depois da compra, o proprietário ainda precisa arcar anualmente com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Em estados como São Paulo, a alíquota é de 4% sobre o valor venal do veículo. Em um Jeep Compass Blackhawk 2025, com preço acima de R$ 200 mil, o imposto ultrapassa facilmente os R$ 8 mil por ano.
O IPVA é uma das principais fontes de arrecadação dos estados e o valor varia conforme a unidade da federação e o modelo do veículo.
Paraguai: taxa fixa e sem IPVA
Já no Paraguai, não existe IPVA. O proprietário paga apenas a chamada habilitação veicular, uma taxa municipal anual.
O imposto é calculado com base no valor imponível do veículo, definido pela Direção Nacional de Ingressos Tributários, multiplicado por 0,3%. Esse valor sofre depreciação anual de 5% até o décimo ano do carro, quando passa a ser fixo.
Para veículos com até quatro anos de uso, a taxa costuma girar em torno de 350 reais. Considerando a cotação desta segunda-feira (23), em que 1 guarani paraguaio vale R$ 0,00081, o valor pago em moeda local continua significativamente inferior ao praticado no Brasil.
Além da patente, há taxas administrativas municipais, como emissão do documento (entre 20 mil e 40 mil guaranis, o que equivale por volta de R$ 16,12 e R$ 32,25) e um adicional de 10% destinado à manutenção de vias públicas.
Tributação mais simples
Outra diferença relevante é que o Paraguai não possui tributos equivalentes ao IPI e ao ICMS incidentes sobre veículos, o que reduz o preço final de fábrica. Lá, incide basicamente o IVA, em torno de 10%, além de taxas administrativas.
Apesar de discussões recentes sobre o modelo unificado de licenças e exigências como o certificado de valor imponível — documento que pode ser impresso pelas próprias municipalidades — não há previsão de criação de um imposto semelhante ao IPVA brasileiro.




