Enquanto o Brasil possui cerca de 16 bilhões de barris de petróleo em reservas, segundo estimativas atualizadas de 2024, a Venezuela lidera com folga o ranking mundial, com aproximadamente 303 bilhões de barris. A diferença evidencia não apenas o contraste geológico entre os dois países, mas também realidades econômicas e políticas opostas no setor energético da América do Sul.
As reservas venezuelanas são consideradas as maiores do planeta, superando até a Arábia Saudita, que aparece em segundo lugar com cerca de 267 bilhões de barris. Apesar disso, a Venezuela responde hoje por menos de 1% da produção global de petróleo, um cenário muito distante do auge vivido na década de 1960, quando o país chegou a representar mais de 10% da produção mundial.
O colapso da indústria petrolífera venezuelana é atribuído a uma combinação de fatores: corrupção estrutural na estatal PDVSA, saída de investimentos estrangeiros após as nacionalizações promovidas nos governos de Hugo Chávez, acidentes em oleodutos e refinarias e, mais recentemente, sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.
Atualmente, a produção venezuelana está estabilizada em torno de 1 milhão de barris por dia, número modesto diante do tamanho de suas reservas.

Brasil cresce com o pré-sal
O Brasil, por sua vez, integra o grupo dos 20 países com as maiores reservas provadas de petróleo do mundo. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o país possuía cerca de 11,9 bilhões de barris em reservas provadas em 2020. Ao considerar reservas provadas, prováveis e possíveis, esse volume pode ultrapassar os 20 bilhões de barris no subsolo brasileiro.
A descoberta do pré-sal, em 2007, foi decisiva para reposicionar o Brasil no cenário internacional. Cerca de 95% das reservas nacionais estão concentradas nas bacias de Campos e Santos, no litoral Sudeste, áreas que sustentam a expansão da produção brasileira e atraem investimentos contínuos.
Interesse dos EUA e impacto global
A relevância das reservas venezuelanas voltou ao centro do debate internacional após os Estados Unidos sinalizarem interesse em ampliar sua atuação no setor petrolífero do país. Na prática, um eventual aumento da influência americana sobre a produção venezuelana poderia afetar diretamente os preços do petróleo no mercado global, hoje fortemente influenciados pelas decisões da Opep+.
Segundo especialistas, caso as reservas da Venezuela sejam exploradas em larga escala com investimentos estrangeiros, o país poderia voltar a ter papel decisivo na oferta mundial da commodity — algo que, até agora, permanece limitado pelo cenário político e econômico interno.



