Mesmo sem reajustes diretos nas refinarias, os preços dos combustíveis voltaram a subir em diversas regiões do país, trazendo um alerta para um possível disparo da gasolina nos próximos dias. Ao mesmo tempo, medidas do governo federal indicam uma tentativa de conter o avanço do diesel, considerado estratégico para a economia brasileira.
Levantamentos recentes já indicavam tendência de alta. A gasolina comum subiu mais de 2%, a aditivada teve aumento semelhante, e o diesel apresentou a maior variação, com salto superior a 6%. O etanol, mesmo sendo amplamente produzido no Brasil e menos dependente do petróleo, também acompanhou a elevação.
Apesar da alta recente, o diesel tem sido tratado como prioridade pelo poder público. O governo federal vem adotando medidas para reduzir o impacto, como cortes de impostos federais e subsídios a produtores e importadores, além de propor a isenção do ICMS sobre a importação do combustível.
A estratégia busca evitar efeitos em cadeia na economia, já que o diesel é essencial para o transporte de cargas e o funcionamento do agronegócio. A elevação do combustível impacta diretamente o preço dos fretes, dos alimentos e de diversos produtos, além de reacender o risco de paralisações de caminhoneiros, como a registrada em 2018.
Mesmo assim, a proposta de zerar o ICMS enfrenta resistência dos estados. Governadores e secretários da Fazenda argumentam que não podem abrir mão da arrecadação, mesmo com a compensação parcial oferecida pela União, estimada em cerca de R$ 1,5 bilhão por mês.
Gasolina e etanol pressionados nas bombas
Enquanto o diesel concentra esforços para conter aumentos, gasolina e etanol seguem pressionados. Especialistas apontam que fatores como o custo internacional do petróleo, a dinâmica de distribuição e margens do setor influenciam diretamente os preços ao consumidor.
Órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, já monitoram a escalada. O objetivo é identificar possíveis práticas abusivas na formação de preços, considerando que os aumentos ocorreram mesmo sem reajustes oficiais nas refinarias.
Caso sejam constatadas irregularidades, medidas podem ser adotadas contra distribuidoras e postos.




