Sentir cansaço constante, mesmo após uma noite inteira de sono, tornou-se uma queixa cada vez mais comum entre adultos. Agora, a ciência começa a apontar uma nova explicação para o problema. De acordo com o epidemiologista Tim Spector, professor de Epidemiologia Genética do King’s College, em Londres, a fadiga persistente pode estar relacionada a processos inflamatórios no organismo e ao funcionamento do sistema imunológico, especialmente à saúde do intestino.
Em entrevista ao pódcast ZOE Science & Nutrition, Spector afirma que o esgotamento não deve ser visto apenas como consequência de má qualidade do sono ou excesso de trabalho. “Agora sabemos que a fadiga está relacionada com algo que acontece no nosso sistema imunológico e com os níveis de inflamação”, explicou o pesquisador.

O papel do intestino no nível de energia
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Estudos conduzidos pelo projeto ZOE, um dos maiores levantamentos nutricionais do mundo, indicam que o microbioma intestinal — conjunto de trilhões de bactérias que vivem no intestino — exerce influência direta sobre o metabolismo, o sono e os níveis de energia ao longo do dia.
Segundo dados ainda não publicados do programa, mais de 80% das pessoas que seguiram por três meses um plano alimentar personalizado relataram aumento significativo da disposição diária. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que indivíduos com maior diversidade de bactérias intestinais tendem a dormir melhor e por mais tempo.
O gastroenterologista Will Bulsiewicz, especialista em saúde intestinal, reforça essa ligação. “A fadiga é um dos sintomas mais comuns que ouço no consultório. Um dos primeiros sinais de melhora do intestino costuma ser justamente o aumento da energia”, afirma.
Inflamação silenciosa e hábitos modernos
De acordo com os especialistas, dietas ricas em ultraprocessados, consumo excessivo de álcool, uso frequente de adoçantes artificiais e regimes alimentares muito restritivos podem prejudicar o equilíbrio do microbioma, favorecendo inflamações de baixo grau — um processo silencioso, mas capaz de gerar cansaço crônico.
Spector destaca que pequenas mudanças podem trazer benefícios significativos. Entre as principais recomendações estão variar o consumo de vegetais, reduzir alimentos ultraprocessados e incluir alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir, kombucha e chucrute. “Esses alimentos ajudam a alimentar bactérias benéficas que participam do controle da inflamação”, explica.




