Um estudo conduzido por pesquisadores japoneses acendeu um alerta sobre o futuro demográfico da humanidade. Segundo a pesquisa publicada na revista científica PLOS One, populações humanas precisariam ter, em média, pelo menos 2,7 filhos por mulher para evitar o risco de extinção a longo prazo — número superior à taxa de reposição tradicionalmente aceita, de 2,1.
A análise foi liderada por Takuya Okabe, da Universidade de Shizuoka, no Japão, e utilizou modelos matemáticos para avaliar como variações aleatórias na taxa de natalidade podem afetar a sobrevivência populacional ao longo de muitas gerações.
A taxa de 2,1 filhos por mulher é considerada o nível de reposição populacional — patamar necessário para manter estável o número de habitantes de um país, desconsiderando migrações. No entanto, segundo o estudo, esse cálculo não leva em conta fatores como:
- Diferenças individuais no número de filhos
- Mortalidade ao longo das gerações
- Proporção entre nascimentos de meninos e meninas
- Adultos que não têm filhos
Em populações pequenas, essas variações podem fazer com que linhagens familiares desapareçam completamente ao longo do tempo.
De acordo com os pesquisadores, uma taxa mínima de 2,7 filhos por mulher reduziria significativamente o risco de extinção gradual, especialmente em cenários de baixa natalidade prolongada.
O estudo também aponta que uma proporção maior de nascimentos femininos pode ajudar a preservar linhagens familiares — fenômeno que, segundo os autores, já foi observado historicamente em períodos de guerra, fome ou crises ambientais.
Japão vive alerta demográfico
O debate ganha força diante da realidade japonesa. O país registra queda populacional há 15 anos consecutivos. Em 2023, foram contabilizados 730 mil nascimentos — o menor número da história — enquanto as mortes chegaram a 1,58 milhão, recorde nacional.
A taxa de fertilidade japonesa caiu para 1,20 filho por mulher, muito abaixo do nível de reposição. A população atual, de cerca de 125 milhões, pode cair para 87 milhões até 2070.
Um “relógio populacional” desenvolvido pela Universidade de Tohoku projeta, como exercício estatístico, que, se a tendência continuar inalterada, o Japão poderá ter apenas uma criança com menos de 15 anos no ano de 2720. Os pesquisadores ressaltam que a estimativa é simbólica e serve para chamar atenção à gravidade do cenário.
Até 2070, estima-se que 40% da população japonesa terá mais de 65 anos, ampliando os desafios econômicos e sociais.




