A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, já nasce cercada de controvérsia. Com a maior parte dos jogos concentrada em território norte-americano, o torneio não poderá receber turistas de 39 países, após o governo do presidente Donald Trump ampliar as restrições de entrada no país. As medidas atingem diretamente torcedores, jornalistas e familiares de atletas, liberando apenas as delegações esportivas.
As novas regras entram em vigor antes do início do Mundial, marcado para 11 de junho de 2026, e colocam em xeque o caráter global do maior evento esportivo do planeta.
O pacote de restrições migratórias foi ampliado em dezembro e agora divide 39 países em três grupos, com diferentes níveis de proibição. Em 19 deles, há veto total à emissão de vistos de imigração e de turismo. Entre os países afetados estão Haiti e Irã, que já garantiram vaga na Copa do Mundo.
Nesses casos, apenas atletas, técnicos, membros de apoio e familiares imediatos poderão entrar nos Estados Unidos. Torcedores, profissionais da imprensa e demais cidadãos estão impedidos de acessar o país durante o torneio.
Além de Haiti e Irã, outras seleções classificadas também são impactadas, como Senegal e Costa do Marfim, cujos torcedores não poderão obter vistos de turismo para acompanhar os jogos em solo norte-americano.
Exceções restritas e alerta do governo
O decreto assinado por Trump prevê exceções específicas. Estão liberados atletas, comissões técnicas, pessoas em “função essencial” no evento, diplomatas, residentes permanentes nos EUA e casos em que a entrada seja considerada de “interesse nacional”.
A decisão afeta diretamente o turismo, um dos principais motores econômicos de uma Copa do Mundo. A expectativa era de que centenas de milhares de estrangeiros viajassem aos EUA, que sediarão 78 dos 104 jogos do torneio — incluindo as semifinais e a final. Canadá e México receberão apenas 13 partidas cada.
Especialistas e entidades de direitos civis alertam que as restrições podem reduzir a ocupação dos estádios, frustrar torcedores e gerar prejuízos econômicos para as cidades-sede.
Apesar disso, a FIFA tem evitado confronto direto com a Casa Branca. A entidade tem buscado se aproximar do governo norte-americano, inclusive com eventos simbólicos e homenagens durante o sorteio da Copa, realizado em Washington.




