O Exército Brasileiro passará a contar, pela primeira vez em seus 377 anos de história, com uma mulher no posto de general. A promoção da coronel Claudia Lima Gusmão Cacho ao cargo de general de brigada foi formalizada nesta terça-feira (31) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consolidando um marco inédito na estrutura da instituição.
A cerimônia oficial de posse está prevista para esta quarta-feira (1º), no Clube do Exército, em Brasília, quando a militar receberá a espada e o bastão de comando, símbolos máximos da autoridade entre oficiais-generais.
A ascensão de Claudia Cacho ao generalato representa uma mudança significativa em uma carreira historicamente dominada por homens. A promoção ocorre após indicação feita em fevereiro e aprovada pelo Alto Comando do Exército, responsável por definir os nomes que chegam aos postos mais altos da hierarquia militar.
Além dela, o pacote de promoções inclui outros oficiais: 17 coronéis foram elevados a general de brigada, 11 generais de brigada passaram a general de divisão e dois generais de divisão chegaram ao posto máximo de general de Exército.
O avanço feminino na carreira militar é relativamente recente. Até 2012, mulheres não tinham acesso às áreas que permitiam ascensão ao generalato. A mudança na legislação abriu caminho para que oficiais pudessem atingir os níveis mais altos da instituição.

Trajetória na carreira militar
Natural do Recife (PE), Claudia Lima Gusmão Cacho é médica formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com especialização em pediatria. Ela ingressou no Exército em 1996 como oficial temporária e, dois anos depois, concluiu o curso de formação de oficiais médicos.
Ao longo da carreira, ocupou cargos de destaque na área de saúde militar, como chefe do escalão de saúde da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro, além de dirigir o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande.
Com a promoção, passará a comandar o Hospital Militar de Área de Brasília, consolidando sua trajetória em funções estratégicas dentro da instituição.
Presença feminina ainda é minoritária
Apesar do avanço, a participação feminina nas Forças Armadas ainda é limitada. Dados recentes indicam que cerca de 13 mil mulheres integram o Exército, o que corresponde a aproximadamente 6% do efetivo total.
A conquista de Claudia Cacho, portanto, é vista como um passo importante na ampliação da presença feminina em cargos de liderança e na redefinição do perfil das Forças Armadas brasileiras.




