Um fenômeno natural conhecido mundialmente por colorir os céus da Noruega, Islândia e Finlândia apareceu de forma inesperada no Brasil. Na noite de domingo, 25 de janeiro, moradores de Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis (SC), registraram luzes coloridas no céu atribuídas à aurora austral, versão do Hemisfério Sul da famosa aurora boreal.
O evento é considerado extremamente raro em latitudes brasileiras e só ocorre quando uma combinação específica de fatores espaciais e atmosféricos entra em ação.
A aurora austral é um fenômeno luminoso causado pela interação entre partículas carregadas emitidas pelo Sol — o chamado vento solar — e o campo magnético da Terra. Ao colidirem com gases da atmosfera, essas partículas produzem luzes que variam entre tons de verde, rosa, vermelho e roxo.
O processo é o mesmo que dá origem à aurora boreal, tradicionalmente observada em países do extremo norte, como a Noruega, referência mundial nesse tipo de espetáculo natural. A diferença está na localização: enquanto a boreal ocorre no Hemisfério Norte, a austral se manifesta no Hemisfério Sul.
No Brasil, o fenômeno é raro porque o país está longe das regiões polares, onde o campo magnético facilita esse tipo de interação. Para que a aurora seja visível em áreas mais ao sul do planeta, é necessária atividade solar intensa, geralmente associada a tempestades solares.
Tempestades solares explicam o espetáculo no céu catarinense
Especialistas apontam que o registro em Santa Catarina está ligado a um período de forte instabilidade no clima espacial. Durante tempestades solares, o Sol libera grandes quantidades de radiação e partículas energéticas, capazes de expandir a área de visibilidade das auroras para latitudes incomuns.
Mesmo após o pico do atual ciclo solar — que dura cerca de 11 anos —, os anos seguintes costumam apresentar episódios de clima espacial turbulento. Isso aumenta as chances de eventos como o observado no Sul do Brasil, embora eles continuem sendo exceções.
Embora famosas na Noruega e em outras regiões do Ártico, as auroras não são exclusividade da Terra. Cientistas já identificaram fenômenos semelhantes em outros planetas do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno, além de luas e até cometas. Em casos mais recentes, há indícios de auroras até em estrelas distantes.




