A Crefisa, ligada à empresária e presidente do Palmeiras, Leila Pereira, passou a ser alvo de um inquérito do Ministério Público Federal por suspeitas de irregularidades na portabilidade de contas utilizadas para o pagamento de benefícios previdenciários.
A investigação, que teve início como procedimento preliminar em 2025, foi convertida em inquérito formal em 2026 após o surgimento de novas evidências e lacunas nas apurações. O caso envolve denúncias de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social que relataram dificuldades para acessar seus pagamentos.
Segundo as investigações, clientes teriam enfrentado problemas como atrasos no recebimento de benefícios, recusas de pagamento, restrições para saque e até suposta coação para abertura de contas correntes. Também há indícios de venda casada de produtos financeiros.
As queixas se intensificaram a partir de agosto de 2025, período em que o INSS decidiu suspender o contrato com a instituição após uma série de reclamações. Na ocasião, a Crefisa havia vencido a maior parte dos lotes para pagamento de novos beneficiários, mas passou a ser alvo de críticas pela execução do serviço.
O INSS afirmou, à época, que não compactua com práticas que prejudiquem os segurados, especialmente os mais vulneráveis.

MPF amplia investigação e cobra explicações
Com o avanço do caso, o MPF determinou diligências envolvendo não apenas a Crefisa, mas também o INSS e o Banco Central do Brasil. Entre as medidas, o órgão solicitou esclarecimentos sobre a efetivação de portabilidades que teriam ficado pendentes após a suspensão do contrato.
Além disso, foram requisitados documentos relacionados ao contrato firmado entre as partes e ao processo administrativo que apura possíveis descumprimentos por parte da instituição financeira.
O cenário ocorre em um momento de maior atenção sobre o sistema financeiro nacional, com recentes episódios envolvendo outras instituições ampliando o nível de vigilância sobre práticas do setor.
Apesar da gravidade das investigações, não há, até o momento, decisão definitiva sobre o futuro da empresa. O caso segue em apuração e poderá resultar em sanções caso as irregularidades sejam comprovadas.




