Conhecido mundialmente pelos títulos na Fórmula 1, Nelson Piquet construiu fora das pistas uma trajetória empresarial que surpreendeu até o mercado. Apenas oito anos após fundar a Autotrac, empresa brasileira de monitoramento de veículos via satélite, o ex-piloto já projetava um faturamento próximo de R$ 200 milhões em 2002, consolidando-se como líder absoluta do setor no país.
Dados da época mostram que a Autotrac faturou R$ 121 milhões em 2001 e caminhava para quase dobrar esse valor no ano seguinte. Criada em 1994, a empresa detinha cerca de 85% do mercado nacional, empregava aproximadamente 500 funcionários e apresentava crescimento médio anual entre 25% e 35%.

Piquet costuma associar o início de sua fase empresarial ao episódio mais grave de sua carreira esportiva. Em 1992, sofreu um acidente a mais de 350 km/h no oval de Indianápolis, que comprometeu definitivamente o pé esquerdo e encerrou sua trajetória como piloto.
“Aquela porrada foi um divisor de águas. Com o pé danificado, vi que não poderia pilotar nunca mais. Daí, ou eu trabalhava muito ou morreria pobre, sem grana”, afirmou Piquet, em entrevista à época.
Sem histórico familiar no mundo corporativo, ele destaca que aprendeu na prática. “A diferença é que eu nunca tive uma babá, nunca tive um empresário. Sempre fiz os meus contratos e aprendi desse jeito”, disse.
Mais dinheiro como empresário do que na Fórmula 1
Com o crescimento acelerado da Autotrac, Piquet chegou a comparar seus ganhos fora das pistas com os tempos de Fórmula 1. “Se você for comparar a cotação do dólar, ganhei mais agora, como empresário”, afirmou, ao comentar que, apesar dos privilégios da carreira esportiva, os resultados financeiros vieram com mais força nos negócios.
O foco da empresa sempre foi a segurança logística, especialmente diante do aumento dos roubos de carga no país. A Autotrac se especializou em tecnologia de rastreamento via satélite para caminhões e frotas comerciais, área ainda pouco explorada no Brasil nos anos 1990.
Autotrac hoje: tecnologia, escala e liderança
Décadas depois, Piquet segue à frente da companhia. Em participação recente em uma live institucional, o tricampeão destacou que aplica na empresa os aprendizados adquiridos na Fórmula 1. “Faça sempre com perfeição. Seja o melhor”, aconselhou. Segundo ele, “como empresário, obtive mais sucesso que como corredor”.
Atualmente, a Autotrac conta com cerca de 300 funcionários diretos e mais de mil profissionais na rede de concessionárias autorizadas, distribuídas em mais de 45 unidades no Brasil. A empresa é considerada pioneira em tecnologias de rastreamento, telemetria e controle de frotas, oferecendo soluções que monitoram desde a condução do motorista até dados técnicos dos veículos.
“É possível controlar tudo de dentro do escritório. Como o motorista dirige, a pressão do óleo, dos pneus, cada freada, a velocidade e a jornada de trabalho”, explicou Piquet durante a transmissão.




