O que deveria representar economia e sustentabilidade tem se transformado em dor de cabeça para muitos brasileiros. Golpes ligados ao setor de energia solar estão se espalhando pelo país, deixando vítimas com prejuízos que já somam milhões de reais. Em cidades como Pará de Minas, consumidores relatam contratos pagos, projetos inexistentes e instalações que nunca saíram do papel.
Casos semelhantes também surgem em outros estados, envolvendo desde falsas empresas de instalação até esquemas de investimento que prometiam lucros altos com a venda de créditos de energia solar.
Em Pará de Minas, diversas vítimas denunciaram uma empresa que oferecia sistemas de energia solar, recebia parte ou até a totalidade do pagamento e simplesmente não entregava o serviço. Mesmo após meses da contratação, não houve apresentação de projeto técnico, homologação junto à concessionária nem entrega de equipamentos.
A instalação nunca foi iniciada, e os consumidores ficaram sem retorno da empresa. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 4 milhões, segundo relatos reunidos por autoridades e plataformas de reclamação, como o Reclame Aqui, onde se repetem queixas com o mesmo padrão de atuação.
Boletins de ocorrência já foram registrados, e ações judiciais estão em andamento. O principal objetivo agora é alertar outros consumidores antes que novas vítimas sejam feitas.
Golpe do “investimento em energia solar” também avança
Além das fraudes na instalação de sistemas residenciais, outro esquema tem preocupado autoridades: o chamado “golpe da energia solar”, que prometia rendimentos mensais entre 4% e 5% por meio da comercialização de créditos de energia.
A empresa Alpha Energy Capital, investigada pela Polícia Federal, é apontada como responsável por prejuízos em vários estados. Somente em Mato Grosso do Sul, ao menos duas vítimas buscam na Justiça a devolução de R$ 288 mil investidos no negócio.
Segundo investigações, a empresa afirmava possuir 11 usinas solares, mas a Polícia Federal identificou apenas uma unidade efetivamente conectada à rede elétrica. Estima-se que o grupo tenha movimentado ilegalmente cerca de R$ 151 milhões em todo o país.
Em fevereiro de 2025, a PF deflagrou a Operação Pleonexia, com ações em estados como Rio Grande do Norte, São Paulo e Goiás. Mesmo assim, a empresa tem sido difícil de localizar e já responde a processos à revelia.
Como se proteger do golpe da energia solar
Especialistas e autoridades orientam que o consumidor redobre a atenção antes de fechar qualquer contrato no setor. Entre as principais recomendações estão:
- Pesquisar a reputação da empresa em sites de reclamação e órgãos de defesa do consumidor;
- Exigir projeto técnico, cronograma e contrato detalhado;
- Desconfiar de promessas de retorno financeiro elevado e rápido;
- Verificar se a empresa tem CNPJ ativo, sede física e histórico comprovado;
- Evitar pagamentos antecipados elevados sem garantias.




