A cena parece saída de filme, mas já é realidade no Brasil: robôs começam a assumir funções antes exclusivas de garçons, entregando pedidos nas mesas, recolhendo utensílios e auxiliando no atendimento. A tendência, que cresce no exterior, agora ganha força em estabelecimentos brasileiros — especialmente diante da dificuldade de contratar e reter funcionários.
Na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, a tradicional padaria Villa Grano encontrou uma solução inusitada para driblar a falta de mão de obra: “contratou” um robô. Custando cerca de R$ 100 mil e importado da China, o equipamento modelo Keenon — apelidado de Virgulino — já circula naturalmente entre mesas e clientes, realizando parte do atendimento diário.
Virgulino funciona das 6h às 22h, sem intervalo. Ele possui quatro bandejas, carrega pedidos, recolhe pratos, devolve itens à copa e até agradece. Com isso, os atendentes humanos deixam de executar tarefas repetitivas e ganham tempo para atividades de maior valor, como orientar clientes e melhorar a experiência no salão.
Em menos de 20 dias de operação, o robô já se tornou parte da rotina — e uma atração. Funcionários se divertem programando seus comandos, e clientes chegam a pedir atendimento exclusivamente por ele.

Segundo o empresário Luiz Pereira Ferreira, dono da padaria e com 40 anos de experiência no setor, o impacto foi imediato:
“As pessoas têm vindo pela curiosidade. Já teve cliente que pediu oito vezes só para ser atendida pelo robô”, comenta.
O efeito colateral positivo? Aumento do tíquete médio e das vendas, graças ao marketing espontâneo gerado pelo robô-garçom.
Robôs ganham espaço no mundo — e serão bilhões em poucas décadas
A adoção de robôs humanoides e autônomos deve explodir globalmente. Segundo projeções do Morgan Stanley, até 2050 o planeta terá quase 1 bilhão de robôs humanoides, movimentando um mercado superior a US$ 5 trilhões.
Onde eles atuarão?
- 90% serão usados em setores industriais, comerciais, hotéis, padarias e restaurantes;
- Cerca de 80 milhões estarão em residências, ajudando em tarefas domésticas.
Atualmente caros — cerca de US$ 200 mil — esses robôs devem ficar mais acessíveis ao longo das próximas décadas, podendo chegar a US$ 50 mil globalmente e até US$ 15 mil na China até 2050.
China lidera a revolução robótica mundial
A chamada Robotics Valley de Shenzhen já concentra as principais fabricantes de humanoides e robôs de serviço, como:
- UBTECH
- PUDU Robotics
- Unitree
- DIGIT
- EngineAI
Relatórios apontam que:
- 56% das empresas da cadeia global de robôs humanoides são chinesas
- 70% das maiores fabricantes do mundo estão na China
Com preços mais baixos, produção em escala e apoio estatal, especialistas confirmam: a China deve dominar o setor por décadas.




