O início de 2026 trouxe mais pressão ao bolso dos motoristas de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. O aumento da alíquota fixa do ICMS sobre os combustíveis, em vigor desde 1º de janeiro, já se reflete nos postos do município. Em apenas duas semanas, o preço médio da gasolina comum subiu de R$ 6,31 para R$ 6,38, uma alta de 1,11%, segundo levantamento do Procon local, gerando insatisfação entre consumidores.
A elevação dos preços é consequência direta da decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que aumentou em R$ 0,10 por litro o imposto cobrado nas refinarias. Embora o repasse integral ainda não tenha sido totalmente incorporado em Santa Cruz do Sul, a tendência é de consolidação dos novos valores ao longo das próximas semanas.
Além da gasolina comum, outros combustíveis também registraram aumento no município. A gasolina aditivada chegou ao preço médio de R$ 6,58, enquanto o diesel S-10 passou a custar R$ 6,31. Ambos apresentaram altas superiores a 0,60% no período analisado.
Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Arauto News 89,9 FM, o secretário da Fazenda de Santa Cruz do Sul, Bruno Faller, afirmou que projeções indicam impacto significativo para o município.
“Existem vários estudos em relação ao comportamento do retorno dos tributos nos próximos anos. Um deles aponta que Santa Cruz perde 9%, o que é uma perda importante”, destacou.
Segundo Faller, um dos principais pontos de preocupação é o fim gradual do critério do valor agregado, atualmente fundamental para o cálculo do retorno do ICMS.
“O valor agregado deixa de existir como critério. Isso impacta diretamente municípios com indústria forte, porque hoje esse é um dos principais componentes do índice de retorno”, explicou.
Segundo aumento em menos de um ano
Este é o segundo reajuste da alíquota fixa do ICMS em menos de 12 meses, consolidando o modelo de cobrança por valor fixo por litro, em substituição ao cálculo percentual. Como o combustível impacta diretamente o transporte e a logística, o reflexo tende a se espalhar por toda a cadeia de preços, pressionando a inflação local.
Diante do cenário, órgãos de defesa do consumidor orientam os motoristas a pesquisar antes de abastecer, já que a variação entre postos continua significativa dentro do próprio município.
Reforma Tributária amplia preocupações
O aumento dos combustíveis ocorre em meio ao início da fase de testes da Reforma Tributária sobre o consumo, que começou oficialmente em 2026. Embora não haja elevação imediata da carga tributária, empresas já precisam se adaptar a novas obrigações acessórias, com a futura substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Para municípios com perfil industrial consolidado, como Santa Cruz do Sul, o cenário gera apreensão. Estudos preliminares do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que a cidade pode sofrer perdas relevantes de arrecadação nos próximos anos.




