A expectativa de vida global vem aumentando nas últimas décadas e pode crescer ainda mais. Para o geneticista Steve Horvath, pesquisador do Altos Labs Cambridge Institute of Science, no Reino Unido, os humanos poderão chegar aos 150 anos de idade no futuro. “É um número muito comentado atualmente. Não tenho dúvidas de que isso acontecerá”, afirmou em entrevista à revista Time.
Embora não tenha indicado quando isso poderá se tornar realidade, o cientista acredita que os avanços na compreensão do envelhecimento biológico abrirão caminho para ampliar significativamente a longevidade humana.
Uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde mostram que a expectativa de vida mundial aumentará. Em 2030, 1 em cada 6 pessoas terão mais que 60 anos, o maior patamar já registrado. A tendência de alta é atribuída à redução de mortes por Covid-19, overdoses, doenças cardíacas e câncer.
Se esse ritmo de progresso continuar, pesquisadores avaliam que os limites atuais da longevidade poderão ser superados.
Até hoje, a pessoa mais velha já registrada foi a francesa Jeanne Louise Calment, que viveu 122 anos e 164 dias, falecendo em 1997. Nenhum ser humano ultrapassou oficialmente essa marca.

O “relógio do envelhecimento”
Horvath é conhecido por ter desenvolvido, no início dos anos 2010, o chamado “relógio de envelhecimento”, ferramenta baseada na metilação do DNA, uma modificação química que ocorre no material genético ao longo da vida.
O método permite estimar a idade biológica do organismo, que pode ser diferente da idade cronológica. O teste avalia alterações moleculares em tecidos como sangue, pele e saliva, oferecendo uma medida mais precisa do desgaste celular.
Segundo o pesquisador, a criação desses relógios biológicos foi um marco para a ciência do envelhecimento, pois possibilitou medir o processo de forma objetiva e testar intervenções capazes de retardá-lo.
Existe um limite natural?
Alguns estudos sugerem que há um “teto biológico” próximo dos 150 anos, ponto em que a resiliência celular entraria em colapso. Após essa idade, o organismo teria dificuldade extrema para se recuperar de danos acumulados.
Para Horvath, no entanto, o grande avanço ainda está por vir. Ele acredita que, com mais décadas de pesquisa, os cientistas poderão compreender melhor os mecanismos do envelhecimento e até encontrar formas de desacelerá-lo ou revertê-lo parcialmente.
Na juventude, o geneticista sonhava que a humanidade pudesse viver até mil anos. Hoje, mantém projeções mais realistas, mas segue confiante de que a ciência da longevidade transformará profundamente o futuro da vida humana.




