Um golpe já conhecido no Brasil passou a fazer vítimas também em Portugal e resultou na condenação de duas brasileiras a 10 anos de prisão. Segundo o Tribunal de Loures, Ana Carolina Sobrinho, de 26 anos, e Priscila Moreira, de 33, lideravam um esquema de fraudes telefônicas que enganava principalmente idosos ao se passarem por familiares das vítimas.
De acordo com o jornal português Correio da Manhã, as criminosas utilizavam mensagens enviadas em massa pelo WhatsApp para convencer as vítimas a realizar transferências bancárias. O método é semelhante ao chamado “golpe do familiar”, amplamente registrado no Brasil.
As investigações apontaram que as duas abriram contas em diferentes bancos e operavam uma estrutura organizada de recebimento e saque dos valores transferidos. As vítimas, acreditando estar ajudando filhos ou netos em situação de emergência, realizavam depósitos nas dez contas utilizadas pelo grupo.
O esquema teve início em 2022 e funcionou por cerca de dois anos, até ser desmontado pela Polícia de Segurança Pública. Segundo a Polícia Judiciária, as fraudes renderam aproximadamente 98 mil euros (cerca de R$ 604 mil), considerando pelo menos 20 casos identificados.
As autoridades concluíram que as brasileiras atuavam como autoras intelectuais da rede criminosa, que contava ainda com outros três envolvidos. Um dos acusados foi condenado ao pagamento de multa, enquanto duas mulheres foram absolvidas.
As duas condenadas estão presas na cadeia feminina de Tires, na região de São Domingos de Rana, e aguardam o trânsito em julgado da sentença.
Fraudes digitais preocupam portugueses
O caso ocorre em meio ao aumento da preocupação com crimes digitais em Portugal. Um estudo “Digital & Cibersegurança”, do Observador Cetelem, revelou que 26% dos portugueses já foram vítimas de fraude digital, sendo que 17% sofreram golpes antes de 2024. Outros 8% disseram não ter certeza se já foram alvo de fraude.
Mais da metade da população (52%) considera elevado o risco de fraude ou roubo de identidade online, embora as autoridades alertem que ainda há excesso de confiança no uso cotidiano de plataformas digitais.
Nos últimos anos, Portugal tem intensificado o combate a golpes telefônicos e crimes cibernéticos. Em agosto de 2024, outro suspeito foi preso por envolvimento em esquema semelhante.




