Cerca de 3,8 mil trabalhadores de um dos maiores frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos entraram em greve no estado do Colorado, interrompendo as atividades de uma unidade da JBS USA, subsidiária da multinacional brasileira JBS. A paralisação começou nesta semana na cidade de Greeley e foi organizada pelo sindicato United Food and Commercial Workers (UFCW) Local 7.
Segundo representantes sindicais, trata-se da primeira greve em um frigorífico de carne bovina no país em quase 40 anos, o que aumenta a atenção do setor para possíveis impactos na cadeia de produção.
A greve começou após o término do contrato coletivo de trabalho entre os funcionários e a empresa. De acordo com o sindicato, a decisão foi tomada depois de meses de negociações sem acordo sobre aumento salarial, melhorias nas condições de segurança e ampliação do acesso a serviços de saúde.
A presidente do sindicato, Kim Cordova, afirmou que a empresa não atendeu às principais demandas dos trabalhadores e manteve propostas consideradas insuficientes.
Segundo ela, cerca de 99% dos funcionários votaram a favor da paralisação.

Empresa diz que proposta é justa
Em comunicado, a JBS USA afirmou que apresentou uma proposta considerada justa, que incluiria aumento salarial, estabilidade financeira de longo prazo e plano de aposentadoria. A empresa também acusou o sindicato de interromper as negociações.
Mesmo com a greve, a companhia informou que pretende manter a operação do frigorífico com parte da produção, além de transferir atividades temporariamente para outras unidades.
Impacto pode atingir mercado de carne
Especialistas alertam que a paralisação ocorre em um momento delicado para o setor. O rebanho bovino dos Estados Unidos está no menor nível em 75 anos, o que já tem provocado aumento nos preços da carne.
Dados da American Farm Bureau Federation apontam que o preço da carne bovina subiu 15,2% no último ano.
A greve no frigorífico do Colorado, inicialmente prevista para durar duas semanas, pode ser prorrogada caso não haja acordo entre trabalhadores e empresa. Caso a paralisação se prolongue, analistas avaliam que o impacto pode atingir toda a cadeia produtiva e a economia local.



