Um novo “ChatGPT para médicos” transformou um problema antigo da medicina moderna em um negócio bilionário. A OpenEvidence, startup fundada pelo empreendedor Daniel Nadler, alcançou uma avaliação de US$ 3,5 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 18,4 bilhões, após uma rodada de investimentos que colocou a empresa entre as mais valiosas do setor de inteligência artificial aplicada à saúde.
A proposta da plataforma é ambiciosa: ajudar médicos a tomar decisões clínicas complexas em tempo real, filtrando e organizando um volume de pesquisas científicas que cresce em ritmo impossível de acompanhar manualmente.
Segundo especialistas, um novo artigo científico na área médica é publicado a cada 30 segundos. Para médicos que atendem dezenas de pacientes por dia, manter-se atualizado virou uma tarefa quase inviável.
“Vivemos uma era de ouro da biotecnologia, mas uma idade das trevas para os médicos, por causa do esgotamento”, afirmou Daniel Nadler em entrevista à Forbes. “Há um fluxo gigantesco de informação, e o cérebro humano simplesmente não consegue ler milhões de estudos.”
Foi nesse gargalo que nasceu a OpenEvidence, fundada em 2022 por Nadler — ex-criador da Kensho Technologies, vendida à Standard & Poor’s por cerca de US$ 700 milhões — em parceria com Zachary Ziegler, doutorando em inteligência artificial em Harvard.

Como funciona o “ChatGPT para médicos”
Apesar do apelido popular, a empresa faz questão de diferenciar seu produto de assistentes genéricos. A IA da OpenEvidence não é treinada com dados da internet aberta ou redes sociais, mas exclusivamente com informações de revistas científicas e bases médicas de alto rigor.
O sistema funciona como um chatbot clínico, usado diretamente no ponto de atendimento, auxiliando médicos na formulação de diagnósticos e planos de tratamento baseados nas evidências mais recentes.
De acordo com Nadler, mais de 40% dos médicos dos Estados Unidos já utilizam a plataforma, o que coloca a OpenEvidence como a ferramenta de IA médica mais difundida no país.
Investidores de peso e crescimento acelerado
Em menos de um ano, a startup levantou US$ 700 milhões em investimentos, com aportes liderados por fundos como Thrive Capital e DST, além de nomes de peso como Google Ventures, Nvidia, Kleiner Perkins, Craft Ventures e a Mayo Clinic.
A rodada mais recente, de US$ 250 milhões, consolidou o valuation bilionário da empresa. Antes disso, a OpenEvidence havia sido avaliada em US$ 1 bilhão em fevereiro e US$ 6 bilhões em outubro, mostrando uma escalada rara mesmo no aquecido mercado de IA.
Publicidade no lugar de assinaturas
Um dos diferenciais da OpenEvidence é o modelo de negócios. Ao contrário de muitas startups de software médico, a empresa aposta fortemente em receita publicitária, permitindo que médicos utilizem a ferramenta gratuitamente.
Segundo o CEO, 95% dos novos usuários chegam por indicação de outros médicos, o que impulsionou a empresa a ultrapassar US$ 100 milhões em receita anualizada no último ano.
“Grande parte da medicina nos EUA acontece em pequenas clínicas, sem orçamento para softwares caros”, explicou Nadler. “A publicidade permite escala rápida.”
O sucesso da OpenEvidence acontece em um momento de corrida global pela liderança em IA na saúde. Gigantes como OpenAI, com o ChatGPT Health, e Anthropic, com o Claude Healthcare, também lançaram versões compatíveis com as exigências da legislação médica americana.




