O Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona, capital espanhola, realizou o primeiro transplante de rosto do mundo em 2010. Recentemente, o hospital voltou a realizar o procedimento, sendo o primeiro transplante do tipo a partir de uma doadora que solicitou a eutanásia (a “morte assistida”). Segundo o anúncio dos médicos, o procedimento permitiu um “nível de planejamento cirúrgico sem precedentes e melhores resultados funcionais”.
De acordo com o jornal O Globo, o fato da doadora ter pedido a eutanásia foi decisivo para o sucesso técnico do transplante. Sabendo que eles teriam essa doadora, a equipe médica conseguiu fazer um planejamento bastante detalhado, com tecnologias avançadas como softwares em três dimensões.
“Pudemos sentar com engenheiros e, com modelos em 3D, planejar as melhores opções de reconstrução e adaptação das estruturas ósseas para alcançar o máximo de compatibilidade funcional”, explicou Joan-Pere Barret, chefe da unidade de cirurgia plástica e queimados do hospital.
Quem recebeu o transplante foi uma mulher identificada apenas como Carmen, que tinha tido o rosto desfigurado por uma infecção bacteriana grave. Muito além da questão estética, essa desfiguração a impedia de comer, falar e até de respirar direito. O transplante foi realizado no ano passado e ela segue em fisioterapia para recuperar suas funções faciais, mas, em coletiva de imprensa, ela afirmou que já recuperou muito da sua qualidade de vida.
Transplante de rosto é um dos procedimentos mais complexos da medicina
O médico Joan-Pere Barret explica que o procedimento não se trata apenas de devolver uma aparência ao paciente, mas de ajudar a recuperar função e sensibilidade. “Caso contrário, é apenas uma máscara. Estamos falando de estruturas tridimensionais com músculos, nervos e vasos com menos de um milímetro de diâmetro”, explicou Barret, segundo O Globo.




