Um levantamento inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou quanto ganham, em média, os motoristas que trabalham por meio de aplicativos no Brasil, como a Uber. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), referentes a outubro de 2025, esses profissionais recebem cerca de R$ 2.766 por mês.
Apesar de a renda mensal ser maior do que a de motoristas tradicionais, o estudo mostra que o valor é resultado de uma jornada de trabalho mais longa, o que reduz a diferença quando se analisa o ganho por hora.
Segundo o IBGE, motoristas de aplicativos trabalham, em média, 45,9 horas por semana, cerca de cinco horas a mais do que os motoristas tradicionais, cuja jornada média é de 40,9 horas semanais.
Essa carga maior de trabalho explica a diferença na renda mensal. Motoristas que não trabalham por aplicativos recebem, em média, R$ 2.425 por mês, cerca de R$ 341 a menos que os profissionais de plataformas digitais.
Quando a comparação é feita por hora trabalhada, no entanto, a diferença praticamente desaparece. O rendimento médio por hora é de R$ 13,9 para motoristas de aplicativo, contra R$ 13,7 para motoristas tradicionais.
Trabalhadores de aplicativos ganham mais que a média do setor privado
Considerando todos os trabalhadores que atuam por meio de plataformas digitais — incluindo motoristas e entregadores — a renda média mensal chegou a R$ 2.996 em 2024, valor 4,2% maior que a média de R$ 2.875 recebida por trabalhadores do setor privado que não atuam em aplicativos.
Mesmo assim, a jornada também é mais extensa: 44,8 horas semanais, contra 39,3 horas entre os profissionais que não trabalham por meio dessas plataformas.
Falta de proteção social preocupa especialistas
Além dos dados de renda, estudos sobre o setor também apontam desafios relacionados à proteção social desses trabalhadores.
Uma pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a Uber, com quase 13 mil motoristas da América Latina e do Caribe, revelou que apenas cerca de um terço contribui para sistemas de previdência.
Muitos profissionais também não possuem acesso regular a benefícios como seguro de saúde ou aposentadoria, o que levanta preocupações sobre o futuro da chamada economia de plataformas.




