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Imposto de Renda zerado em 2026: veja quem vai se beneficiar

Por Pedro Silvini
02/01/2026
Em Geral
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Receita Federal

(Reprodução/Agência Brasil)

A nova tabela do Imposto de Renda, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (26), vai zerar o IR para 10 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês. Além deles, outros 5 milhões terão redução no imposto devido, por meio de um mecanismo de desconto criado para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350.

A atualização — promessa de campanha de Lula — foi aprovada por unanimidade pela Câmara dos Deputados e pelo Senado ao longo de 2025. A primeira folha com as novas regras será a de janeiro de 2026, e a declaração de 2027 (ano-base 2026) incorporará integralmente a mudança. Segundo estimativas, quem recebe até R$ 5 mil terá uma economia anual de R$ 4.356,89.

Na prática, a lei amplia a faixa de isenção e cria um mecanismo de correção para as rendas intermediárias:

  • Isenção total: até R$ 5 mil mensais.
  • Desconto automático: para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350, reduzindo a alíquota efetiva.
  • Compensação fiscal: aumento da tributação sobre rendimentos superiores a R$ 600 mil anuais, atingindo cerca de 140 mil contribuintes.

A cobrança sobre altas rendas será gradual, com alíquota máxima de 10% — sem efeito para quem já paga esse percentual. O governo afirma que, assim, não há impacto fiscal adicional nem risco a serviços públicos.

Mercado traz alerta para risco fiscal e tributação da PLR

Embora o governo defenda a medida como instrumento de justiça social e estímulo ao consumo, a isenção ampliada gerou preocupação no mercado financeiro. O motivo é a possibilidade de o governo também estender a isenção à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) — proposta mencionada por Lula.

Hoje, a PLR possui tributação exclusiva na fonte, com tabela própria mais vantajosa do que a aplicada aos salários. É tributada apenas quando ultrapassa R$ 8.214. Torná-la totalmente isenta ampliaria a renúncia fiscal e exigiria novas compensações, possivelmente pressionando empresas por meio de aumento da CSLL ou do IRPJ.

Renúncia e compensações: números preocupam o setor produtivo

A isenção terá um custo expressivo para os cofres públicos:

  • R$ 31,3 bilhões em 2026
  • R$ 33,5 bilhões em 2027
  • R$ 35,9 bilhões em 2028

Para equilibrar as contas, o governo criou mecanismos de arrecadação sobre a alta renda — como o Imposto Mínimo para Altas Rendas e a Taxação de Dividendos ao Exterior — garantindo uma compensação estimada em R$ 34,1 bilhões já em 2026.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende que o modelo é fiscalmente neutro, afirmando que, pela primeira vez, o ajuste foi concentrado “no andar de cima”.

Empresários, porém, avaliam que a taxação adicional sobre lucros e dividendos representa dupla tributação, já que os lucros distribuídos provêm de empresas que pagam imposto corporativo. A mudança reduziria o retorno dos acionistas, diminuindo a atratividade do mercado de capitais brasileiro e afastando investimentos.

Isenção ampla distancia o Brasil de modelos internacionais

Com a nova tabela, apenas 34 milhões de brasileiros — cerca de 16% da população — pagarão Imposto de Renda em 2026. O percentual contrasta com países de bem-estar social, como:

  • Noruega: 93% pagam IR
  • Dinamarca: 90,6%

Especialistas afirmam que, ao reduzir drasticamente o número de contribuintes, o Brasil se afasta desses modelos e cria maior dependência de tributos sobre empresas e alta renda.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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