Um estudo científico inédito demonstrou que tecidos cerebrais congelados a temperaturas extremas, próximas de -196 °C, podem voltar a apresentar atividade neural após o descongelamento. A descoberta, conduzida por pesquisadores da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, reacende discussões sobre a possibilidade de preservação cerebral e até conceitos antes restritos à ficção científica.
A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences e analisou o comportamento de tecidos cerebrais de ratos submetidos a congelamento em nitrogênio líquido.
Os cientistas utilizaram um método conhecido como vitrificação, que consiste no resfriamento ultrarrápido do tecido até um estado semelhante ao vidro. Diferente do congelamento tradicional, essa técnica impede a formação de cristais de gelo, principais responsáveis por danificar células.
No experimento, fragmentos do cérebro, incluindo o hipocampo, região ligada à memória, foram resfriados e armazenados por até uma semana em temperaturas extremamente baixas. Após o descongelamento, análises revelaram que as estruturas celulares permaneceram preservadas.
Além disso, os neurônios voltaram a responder a estímulos elétricos de forma próxima ao normal. Os pesquisadores também identificaram a chamada potenciação de longo prazo, mecanismo essencial para aprendizado e formação de memórias.
Avanço ainda está longe de aplicação em humanos
Os testes também foram realizados em cérebros inteiros de ratos, com resultados semelhantes na preservação de circuitos neurais. Ainda assim, os próprios cientistas destacam que a aplicação prática em humanos, como a preservação de cérebros ou corpos inteiros, permanece distante.
A principal limitação está na complexidade do cérebro humano e na dificuldade de restaurar completamente funções biológicas após um estado de “pausa total”. Apesar disso, o avanço representa um passo importante na área de criopreservação.
Especialistas apontam que, embora ainda longe de viabilizar cenários como o “congelamento humano”, o estudo aproxima a ciência de soluções futuras para conservação de órgãos, tratamento de doenças neurológicas e avanços na medicina regenerativa.




