Clientes do Itaú estão sendo alvo de uma nova e mais sofisticada modalidade de golpe bancário, que tem se espalhado pelo país neste início de ano. A fraude utiliza tecnologia capaz de simular o número oficial do banco no identificador de chamadas, aumentando a credibilidade do contato e enganando correntistas por meio de falsas alertas de segurança.
Segundo relatos, os criminosos ligam informando sobre uma suposta compra suspeita, tentativa de invasão da conta ou problema no aplicativo. Em muitos casos, o número exibido no celular da vítima é idêntico ao do atendimento oficial do Itaú ou muito semelhante a um 0800 legítimo.
O principal recurso dos golpistas é o chamado gatilho da urgência. Durante a ligação, uma gravação automática ou um falso atendente, com discurso calmo e profissional, afirma que é necessário agir imediatamente para evitar prejuízos maiores. A partir daí, a vítima é induzida a confirmar dados pessoais, digitar senhas no teclado do telefone ou realizar transferências via Pix para uma suposta “conta segura”.
Especialistas alertam que nenhum banco solicita senhas, códigos ou transferências para contas de terceiros, muito menos como forma de “teste” ou “proteção” do saldo. Esse tipo de pedido é um sinal claro de fraude.
STJ reforça responsabilidade dos bancos em casos de golpe
O tema ganhou ainda mais relevância após decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por unanimidade, os ministros entenderam que bancos e instituições de pagamento podem ser responsabilizados por prejuízos causados por golpes de engenharia social, quando ficar comprovada falha na proteção de dados ou na identificação de transações fora do perfil do cliente.
Em um dos casos analisados, um correntista sofreu prejuízo superior a R$ 160 mil, envolvendo transferências indevidas, contratação de empréstimo e pagamento de boleto no crédito. O cliente alegou que realizava poucas movimentações mensais, mas teve 14 transações atípicas registradas em um único dia, sem qualquer bloqueio preventivo.
Para o STJ, quando há indícios claros de movimentações incompatíveis com o histórico do cliente, cabe às instituições financeiras adotar mecanismos de segurança mais rigorosos para evitar danos.
A orientação é: ao receber qualquer ligação sobre problemas na conta, o cliente deve desligar e procurar o banco pelos canais oficiais, usando o número que consta no verso do cartão ou no aplicativo. Desconfiar de pressa, pedidos de sigilo e solicitações de transferências é fundamental para evitar prejuízos.




