Já imaginou ser um advogado e descobrir que, no seu próximo caso, o seu cliente é uma abelha. Acredite se quiser, isso é possível. Abelhas da região de Satipo, no Peru, tornaram-se os primeiros insetos do mundo a conquistarem direitos legais, graças a uma lei aprovada no país em outubro do ano passado. A região de Satipo corresponde a porção da Amazônia localizada no nosso país vizinho.
Como explica a Revista Galileu, pelo menos 175 espécies de abelhas sem ferrão que vivem no ecossistema amazônico peruano estão protegidas por essas novas diretrizes, que determina que agora elas possuem status judicial parecido com o de pessoas e empresas. Com essa nova lei, humanos podem até entrar com uma ação judicial em nome dos insetos.
Abelhas peruanas se tornaram os primeiros insetos do mundo a ganharem direitos legais
A nova lei é resultado de um trabalho colaborativo que indígenas, ambientalistas e pesquisadores do país têm feito desde 2024, quando essas abelhas sem ferrão passaram a ser formalmente reconhecidas como espécies de interesse nacional. Esses insetos estão lentamente desaparecendo do ecossistema amazônico do Peru por causa de ameaças como mudanças climáticas, pesticidas, desmatamentos e espécies invasoras.
“Conversávamos ativamente com os diferentes membros da comunidade e a primeira coisa que eles diziam, e que ainda dizem até hoje, é: ‘Não consigo mais ver minhas abelhas. Antes, eu levava 30 minutos caminhando pela selva para encontrá-las. E agora levo horas’”, declarou Rosa Vásquez Espinoza, pesquisadora e fundadora da Amazon Research Internacional, em entrevista ao The Guardian.
Inclusive, já existe uma petição com mais de 338 mil assinaturas para tornar as leis locais recém-aprovadas em leis nacionais.




