Aposentados e pensionistas do INSS que sofreram descontos indevidos em seus benefícios ganharam mais tempo para garantir a devolução do dinheiro. O Instituto Nacional do Seguro Social prorrogou o prazo para solicitar o ressarcimento até 20 de março, o que abre caminho para o pagamento de um valor extra ainda no primeiro trimestre do ano para milhões de beneficiários.
O anúncio foi feito pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, após instabilidades no sistema da Dataprev e uma paralisação técnica programada da base de dados, que poderia prejudicar quem ainda não conseguiu formalizar o pedido.
Inicialmente, o encerramento do prazo estava previsto para fevereiro. No entanto, segundo Waller, problemas técnicos e a paralisação dos sistemas entre os dias 28, 29 e 30 levaram à decisão de estender o período.
“Para não prejudicar ninguém, vamos prorrogar esse prazo para 20 de março. Assim, aposentados e pensionistas ainda poderão fazer o requerimento”, afirmou o presidente do INSS em entrevista à CNN Brasil.
A devolução refere-se a descontos de mensalidades associativas feitos sem autorização, prática que atingiu milhões de beneficiários em todo o país.
Milhões já solicitaram a devolução
De acordo com o levantamento mais recente do INSS, 6,2 milhões de pessoas já abriram reclamação por descontos indevidos. Deste total, 4,2 milhões aderiram ao acordo de ressarcimento oferecido pelo governo.
Até agora, cerca de R$ 2,8 bilhões já foram devolvidos. Outros 800 mil beneficiários ainda estão aptos a aceitar o acordo e receber o dinheiro. Segundo o INSS, após a adesão, o valor é depositado em até três dias úteis na conta em que o benefício é pago.
Fraude no INSS levou a prisões e crise política
O esquema de descontos indevidos motivou a Operação Sem Desconto, que resultou na prisão de ao menos 18 pessoas, incluindo empresários e políticos. O escândalo provocou a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social, substituído por Wolney Queiroz.
O caso também é investigado pelo Congresso Nacional por meio de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Paralelamente, o governo trabalha para bloquear bens e recursos das empresas envolvidas, com apoio da CGU, AGU e Polícia Federal.
Podem aderir ao acordo aposentados e pensionistas que contestaram os descontos e não obtiveram resposta das entidades. O procedimento é gratuito e não exige envio de documentos.
Passo a passo pelo Meu INSS:
- Acesse o aplicativo Meu INSS com CPF e senha;
- Clique em “Consultar Pedidos”;
- Selecione “Cumprir Exigência” (se houver);
- Leia a proposta e marque “Sim” em “Aceito receber”;
- Clique em “Enviar”.
Também é possível fazer a adesão presencialmente nas agências dos Correios. O pagamento é feito automaticamente na conta do benefício.




