A redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1 deram mais um passo concreto no Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) as propostas que tratam do tema, abrindo caminho para a adoção de modelos como a jornada 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso — ainda a partir de 2026.
A movimentação ocorre em um momento estratégico. O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026 e foi definida pelo Palácio do Planalto como prioridade legislativa na abertura do ano parlamentar, em fevereiro.
Na Câmara, o tema também passou a integrar a agenda de pautas com forte apelo popular. Segundo aliados, Hugo Motta busca associar sua gestão a propostas de impacto social, repetindo uma estratégia adotada no ano passado, quando priorizou temas com ampla repercussão pública em meio a críticas sobre outras agendas em discussão.

Quais propostas estão em análise
A CCJ analisará, inicialmente, a admissibilidade de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tramitam de forma conjunta:
- PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP);
- PEC 221/19, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Caso sejam consideradas admissíveis, as propostas seguem para uma comissão especial, onde o mérito será debatido. Somente depois dessa etapa o texto poderá ser levado ao plenário da Câmara, onde precisará de apoio qualificado para avançar.
Argumentos: tecnologia, dignidade e pleno emprego
Em manifestações públicas, Hugo Motta defendeu a atualização das regras trabalhistas diante das mudanças no mercado de trabalho e dos avanços tecnológicos.
“O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, afirmou o presidente da Câmara em suas redes sociais.
Em entrevista a uma rádio da Paraíba, Motta destacou que a discussão atende a uma demanda histórica da classe trabalhadora e precisa ser analisada à luz do atual cenário econômico, marcado pelo chamado pleno emprego.
“É importante lembrar que, quando nossa carteira de trabalho foi criada, fizeram péssimas projeções. A escala 6×1 precisa ser diminuída. Vamos dar um passo firme na dignidade do trabalhador, mais qualidade de vida e respeito aos brasileiros”, declarou.
Se aprovada, a proposta pode permitir novos modelos de jornada, como a escala 4×3, já testada em outros países, com redução da carga semanal sem diminuição de direitos. Defensores argumentam que a mudança melhora a qualidade de vida, aumenta a produtividade e reduz problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho.




