A tradicional linguiça de Maracaju, um dos símbolos da gastronomia de Mato Grosso do Sul, ganhou reconhecimento internacional e pode se tornar ainda mais valiosa. O embutido passou a contar com proteção de indicação geográfica (IG) após a assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. Com a medida, apenas produtores que sigam os padrões oficiais e estejam vinculados à região de origempoderão usar o nome do produto.
A indicação geográfica impede que produtores de outras regiões utilizem a denominação “linguiça de Maracaju” sem respeitar as normas estabelecidas. Na prática, isso transforma o produto em um item exclusivo do município sul-mato-grossense, o que tende a elevar seu valor comercial e fortalecer a economia local.
A linguiça é feita exclusivamente com carne bovina do traseiro, utilizando cortes nobres como picanha, patinho, coxão mole, contra-filé, alcatra, maminha e ponta de alcatra. Em Maracaju, apenas um açougue chega a produzir entre 600 e 700 quilos por semana, tamanha é a procura pelo produto.

Herança histórica e identidade regional
A tradição da linguiça de Maracaju remonta aos primeiros colonizadores da região, principalmente vindos de Minas Gerais. Eles dominavam a técnica de produção de embutidos, originalmente feita com carne suína. Com o avanço das comitivas pelo Centro-Oeste e a escassez de suprimentos, os tropeiros adaptaram a receita, passando a utilizar a carne bovina, abundante na região.
O embutido surgiu como uma solução para conservar cortes nobres em um período em que não existiam geladeiras, transformando-se, com o tempo, em um patrimônio cultural e gastronômico do município.
Proteção internacional para produtos brasileiros
Além da linguiça de Maracaju, o acordo entre Mercosul e União Europeia garante proteção a diversos produtos brasileiros de origem regional. Entre eles estão cachaças (como Abaíra, Paraty e Salinas), queijos (Canastra e Serro), vinhos de diferentes regiões do Sul, além de cafés, erva-mate, méis, especiarias e frutas de áreas reconhecidas.
A indicação geográfica assegura que esses nomes só possam ser usados por produtores autorizados, preservando características ligadas ao território e ao modo tradicional de produção.




