O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou publicamente que mantém uma relação amistosa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de amigo. A declaração foi feita na última sexta-feira (6), na Bahia, durante o lançamento de ações do programa Novo PAC Saúde, e ocorre em meio aos preparativos para um novo encontro entre os dois líderes, previsto para março.
Durante o evento, Lula comentou de forma descontraída a relação com o presidente norte-americano. “Eu agora sou amigo do Trump. Ele toda hora fala que tivemos uma química e foi amor à primeira vista. Sabe por quê? Porque ninguém respeita quem não se respeita”, afirmou o petista.
A declaração faz referência ao primeiro encontro entre os dois, ocorrido em setembro do ano passado. Na ocasião, Trump também ressaltou a afinidade com Lula, dizendo que ambos tiveram uma “química excelente”, apesar do contato ter durado poucos segundos. “Ele gostava de mim, eu gostava dele. E eu só faço negócios com pessoas de quem gosto”, disse o republicano, em meio às discussões sobre tarifas impostas a produtos brasileiros.

Novo encontro previsto para março
Lula confirmou que trabalha para um novo encontro com Trump na primeira semana de março. “Estou marcando, possivelmente na primeira semana de março, para ter uma conversa olho no olho com o presidente Trump”, disse em entrevista ao UOL.
O Palácio do Planalto já iniciou os preparativos para a viagem a Washington. A expectativa do governo brasileiro é aproveitar a visita para negociar um novo recuo dos Estados Unidos em relação ao chamado “tarifaço” sobre produtos brasileiros e avançar em acordos na área de combate ao crime organizado.
Apesar do discurso público de cordialidade, a equipe de Lula trabalha com cautela. Assessores reconhecem que o histórico de Trump em encontros bilaterais gera preocupação. Em seu segundo mandato, o presidente americano já protagonizou episódios considerados constrangedores com outros chefes de Estado, como o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Por isso, segundo fontes do governo, Lula está sendo preparado tanto para um encontro “tranquilo” quanto para situações inesperadas no Salão Oval. A avaliação interna é que a “química” entre os dois reduz o risco de hostilidades, mas não elimina a necessidade de atenção máxima.
Experiência e bastidores diplomáticos
O governo brasileiro também leva em conta experiências passadas. Em uma reunião anterior entre Lula e Trump, realizada na Malásia, houve ruídos diplomáticos quando a equipe americana autorizou a entrada de jornalistas na sala antes do início da conversa, contrariando acordos prévios entre as chancelarias.
Ainda assim, Lula tem a seu favor a experiência acumulada em visitas à Casa Branca durante os governos de George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden. Auxiliares destacam também a afinidade histórica do petista com Bush, igualmente do Partido Republicano.
Outro ponto de incerteza é o formato do encontro. Até o momento, os Estados Unidos não definiram se Lula será recebido como chefe de Estado, com todos os protocolos oficiais, ou se a reunião será apenas bilateral, com cerimônia reduzida.




